Que futuro se pode construir ao lado de um parceiro ou de uma parceira que vive exclusivamente preocupado com o presente, sem qualquer consideração pelo amanhã? De alguém que privilegia o consumo imediato em detrimento da poupança, da formação, da capacitação profissional e da construção de um património familiar?
O que esperar de uma pessoa que não incentiva a sua cara-metade a participar em conferências, seminários, encontros profissionais e outros eventos que podem proporcionar novas oportunidades, conhecimentos e contactos importantes para o futuro?
Que caminho se pode percorrer ao lado de alguém que não incentiva a organização pessoal, não reconhece o valor do planeamento?
São muitos os homens e as mulheres que parecem ter as suas vidas estagnadas, sem conseguirem compreender as razões que estão na base das dificuldades que enfrentam. Alguns atribuem os seus problemas à perseguição, à falta de oportunidades, a questões culturais, à formação académica ou à realidade socioeconómica do país. Embora estes factores possam, efectivamente, condicionar o percurso de qualquer pessoa, nem sempre representam a totalidade do problema. Por vezes, existem obstáculos dentro do próprio ambiente familiar que merecem uma análise mais profunda.
Por outro lado, há pessoas que conseguem progredir, alcançar objectivos e superar dificuldades, sem se aperceberem de que o apoio de quem partilha consigo a vida a dois pode representar uma das forças determinantes para a concretização dos seus projectos.
Depois de uma reflexão sobre esta realidade, cheguei à conclusão de que a escolha do parceiro ou da parceira constitui um dos passos mais importantes na construção de uma vida bem-sucedida. Não significa que as escolhas bem feitas no campo amoroso seja uma garantia de sucesso, mas significa, que a pessoa que escolhemos para caminhar ao nosso lado pode contribuir para ampliar os nossos horizontes ou, pelo contrário, limitar as nossas possibilidades de crescimento.
Em muitos casos, homens e mulheres que têm alcançado os seus objectivos, contam com o apoio de alguém que acredita nas suas capacidades, respeita as suas ambições e compreende que o crescimento individual também pode beneficiar a relação.
Existem pessoas que não contribuem para o crescimento do parceiro porque têm uma visão limitada da vida, não compreendem a importância do investimento pessoal ou encaram o progresso da sua cara-metade como uma ameaça. Em vez de oferecerem apoio, criam obstáculos, em vez de motivarem, desvalorizam, em vez de ajudarem a encontrar soluções, tornam os desafios ainda mais difíceis.
O amor não deve ser uma prisão para os sonhos de ninguém. Amar também significa compreender que o outro tem capacidades a desenvolver, metas a alcançar e um futuro que merece ser construído com liberdade, responsabilidade e apoio mútuo.
Há parceiros que, quando percebem que a sua cara-metade começa a sonhar mais alto, criam obstáculos, em vez de oferecerem apoio, para que este cresça profissionalmente, conquiste independência financeira ou amplie o seu círculo de relações. Muitos criam conflitos sempre que o parceiro demonstra vontade de aprender, estudar ou conhecer outras realidades.
Já reparou que existem pessoas que não conseguem respeitar o tempo de estudo, de leitura, de trabalho ou de reflexão do parceiro? Quando a outra pessoa procura concentrar-se num projecto, são precisamente elas que interrompem, desvalorizam ou ridicularizam o esforço.
Em vez de incentivarem a continuidade, questionam a utilidade do que está a ser feito. Em vez de compreenderem que o conhecimento exige dedicação, tratam o investimento intelectual como uma perda de tempo.
O que esperar de um companheiro ou de uma companheira que não acredita no potencial do outro e o incentiva a desistir perante o primeiro obstáculo? De alguém que não sabe ouvir, tira conclusões precipitadas com base no que terceiros dizem e exige explicações constantes, mesmo quando o parceiro está a cumprir as suas responsabilidades profissionais?
Também merece reflexão a postura de quem incentiva uma vida centrada em festas, diversões e eventos que não acrescentam valor, sem demonstrar preocupação com as responsabilidades, os compromissos ou os objectivos da pessoa com quem partilha a vida.
Não há mal em conviver, divertir-se ou celebrar as conquistas. O problema surge quando a diversão passa a ocupar o lugar das prioridades, quando a irresponsabilidade se torna habitual e quando o parceiro é pressionado a abandonar compromissos importantes para satisfazer vontades momentâneas.
Uma relação não pode viver apenas de emoções, precisa de maturidade, disciplina, compreensão e capacidade de estabelecer prioridades.
Como progredir ao lado de alguém com quem não é possível manter um diálogo saudável? Como construir um futuro com uma pessoa que atribui mais credibilidade aos rumores de terceiros do que às palavras de quem partilha consigo a intimidade, as responsabilidades e os desafios da vida?
Como avançar quando o parceiro não sabe acolher as amizades da outra pessoa, procura afastá-la de quem genuinamente a apoia e transforma qualquer relação social numa fonte de conflito?
É importante compreender que nem todas as amizades são benéficas. Existem relações que devem ser reavaliadas e limites que precisam de ser estabelecidos. Uma coisa é alertar para comportamentos prejudiciais, a outra, completamente diferente, é isolar o parceiro, afastando-o de pessoas que contribuem positivamente para o seu desenvolvimento.
Uma relação saudável não exige que se abandone a própria identidade para provar amor, exige respeito pelos limites, confiança, transparência e capacidade de distinguir as amizades construtivas das relações que efectivamente representam um risco.
O que dizer daqueles que não apresentam ideias construtivas, se recusam a aprender com os próprios erros, culpam permanentemente os outros pelos seus fracassos e assumem sempre o papel de vítimas das circunstâncias?
Como evoluir ao lado de alguém dominado pela procrastinação, que adia constantemente decisões importantes, evita assumir responsabilidades e não demonstra vontade de melhorar? E como construir uma vida equilibrada com uma pessoa que desvaloriza a saúde física e emocional do parceiro, não sabe preservar relações interpessoais duradouras, desrespeita a família da outra pessoa ou utiliza palavras ofensivas sempre que algo corre mal?
A forma como comunicamos revela muito sobre a nossa maturidade. Nem todos os conflitos podem ser evitados, mas a maneira como os enfrentamos pode determinar se uma relação se fortalece ou se deteriora.
Acresce a isso a falta de discrição. Há pessoas que divulgam os planos familiares a qualquer pessoa, expõem assuntos íntimos sem ponderação e não compreendem que determinados projectos precisam de ser protegidos até estarem suficientemente consolidados.
Nem tudo o que se pensa deve ser dito a terceiros, assim como nem tudo o que se planeia deve ser anunciado antes do tempo. A discrição não significa viver de segredos, mas compreender a diferença entre transparência dentro da relação e exposição desnecessária da vida privada.
A gratidão também importa. Uma pessoa que nunca reconhece o esforço alheio, que considera tudo uma obrigação e raramente valoriza os sacrifícios feitos em seu benefício pode transformar a convivência num espaço de permanente insatisfação.
Estes são apenas alguns dos factores que podem comprometer o crescimento individual quando existe uma relação marcada pela falta de apoio, pelo controlo, pela imaturidade ou pela ausência de objectivos comuns.
A quem esteja solteiro ou solteira, deixo um conselho: escolham com prudência, observem com atenção e não permitam que a paixão fale mais alto do que a capacidade de avaliar o carácter, os valores e as atitudes da pessoa que pretendem ter ao vosso lado. A beleza, a aparência, a condição financeira, o estatuto social e a popularidade podem despertar interesse, mas não são, por si só, garantias de uma relação saudável ou de um futuro promissor.
É necessário observar como a pessoa trata os outros, como reage perante as dificuldades, como administra os recursos de que dispõe, como lida com as responsabilidades e que posição assume quando alguém próximo alcança uma conquista.
O passado também merece atenção, não para condenar alguém eternamente pelos erros cometidos, mas para compreender a sua trajectória, identificar padrões de comportamento e avaliar se houve aprendizagem, mudança e responsabilização.
Dizer que o passado não conta depende do contexto. Há experiências antigas que já foram ultrapassadas e não devem continuar a definir uma pessoa. Existem comportamentos anteriores com consequências presentes, compromissos não resolvidos e padrões que podem repetir-se, ignorá-los deliberadamente pode significar entrar numa relação sem conhecer aspectos importantes da realidade que se pretende partilhar.
O mesmo cuidado deve existir quando se avalia a reputação de alguém. Não se deve condenar uma pessoa com base em rumores, acusações infundadas ou preconceitos. A avaliação deve assentar em factos, comportamentos verificáveis e na capacidade demonstrada de assumir responsabilidades.
Infelizmente, os conselhos raramente faltam. O problema é que, muitas vezes, a teimosia, a precipitação e a valorização excessiva dos aspectos exteriores falam mais alto no momento da escolha.
Escolher bem não significa procurar alguém perfeito, significa encontrar uma pessoa com valores compatíveis, capacidade de diálogo, responsabilidade, respeito e vontade de construir um projecto de vida em comum.
O parceiro ideal não é necessariamente aquele que já conquistou tudo, mas aquele que demonstra vontade de crescer, sabe reconhecer os próprios limites e está disposto a trabalhar para construir um futuro melhor. Da mesma forma, não basta exigir apoio, é preciso saber oferecê-lo; não basta esperar compreensão, é necessário compreender; não basta desejar o sucesso do outro: é preciso contribuir para que esse sucesso seja possível.
Escolher um cônjuge é escolher, em parte, o ambiente emocional, familiar e social em que pretendemos construir o nosso futuro. O amor pode dar início à caminhada, mas são os valores, o respeito, a responsabilidade e o apoio mútuo que ajudam a sustentá-la.
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