Recordo-me perfeitamente de que o nosso primeiro encontro aconteceu durante uma cobertura jornalística, nom dia 23 de Outubro de 2023.
Em Abril de 2024, o destino voltou a cruzar os nossos caminhos nas instalações da Rádio Prenda, pouco antes da estreia do espaço radiofónico conduzido por Mariano Brás. Nada parecia ter sido por acaso. O jornalismo também tem destas coincidências que mais parecem um roteiro bem escrito.
Naquela altura, o director Manuel Vaz apresentou-me aos profissionais da Rádio Prenda. Aquele gesto marcou o início de uma jornada curta no tempo, mas longa no impacto, cujas marcas permanecem gravadas em mim, como uma boa manchete que não se apaga com o fecho da edição.
Sempre que me encontrava na Rádio, Manuel Vaz fazia questão de perguntar como iam os trabalhos, se enfrentávamos dificuldades e se tudo corria bem. Depois, como quem semeia o futuro, deixava-me sempre uma recomendação para aperfeiçoar o trabalho, melhorar o desempenho e continuar a crescer.
Lembro-me particularmente de um dia especial. Enquanto gravava uma reportagem, Manuel Vaz sentou-se em silêncio para acompanhar o meu trabalho. Observou, corrigiu com a paciência de um mestre e orientou-me. Depois, levantou-se e foi-se embora, deixando-me algo muito maior do que simples instruções: confiança.
Sabia que muitas pessoas já acompanhavam o nosso trabalho. Saí dali com o coração leve e a alma em festa, consciente de que aquele momento representava mais do que uma orientação profissional: era também um sinal de incentivo para continuar a fazer jornalismo.
A sua simplicidade, a preocupação genuína com os outros e o espírito de partilha são qualidades que não posso deixar de reconhecer. Não me recordo de um único dia na Rádio em que o director Manuel Vaz não perguntasse aos colaboradores como decorriam os trabalhos e se tudo estava conforme. No final, nunca faltava uma palavra de encorajamento. Nunca mesmo!
Há, um detalhe que faço questão de destacar: Manuel Vaz não esquecia os seus líderes, nem aqueles que o ajudaram a alcançar os seus objectivos. Essa atitude revela muito sobre o carácter de um homem que compreendia a importância da gratidão e do reconhecimento daqueles que fizeram parte do seu percurso.
Infelizmente, partiu para a eternidade, deixando um vazio na família, no círculo de amizades, no jornalismo angolano e em vários outros sectores da sociedade.
A morte de Manuel Vaz representa uma perda para todos os que tiveram a oportunidade de o conhecer, trabalhar com ele ou aprender com a sua experiência. Para mim, fica a memória de um director que, para além das responsabilidades profissionais, soube oferecer orientação, confiança e palavras de incentivo.
Há vozes que se calam, mas os seus ensinamentos continuam a falar. A voz de Manuel Vaz silenciou-se, mas as marcas que deixou naqueles que tiveram o privilégio de cruzar o seu caminho permanecerão vivas.
Que a sua alma descanse em paz. Guardarei para sempre os seus ensinamentos e a memória dos momentos que partilhámos.
Obrigado por tudo, grande director Manuel Vaz. A sua partida deixa saudade, mas o seu exemplo continuará a ser uma referência.
Perdemos Manuel Vaz!
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