Durante a sua apresentação, o jovem afirmou que apenas foi convidado por um amigo para permanecer do lado de fora do armazém, alegando desconhecer o que se passava no interior do estabelecimento.
‘‘Eu não sei das andanças dele. Foi o Obama quem me deu os 150 mil kwanzas. Apenas fui convidado a esperar do lado de fora’’, justificou.
Em declarações adicionais, Agostinho Jorge contou que conheceu o indivíduo identificado como "Obama" há cerca de oito meses, numa fase em que enfrentava dificuldades após o término do seu contrato de trabalho no Terminal de Carga.
‘‘Eu conheço o Obama há oito meses e já tinha ouvido dizer que ele fazia coisas ruins. É a minha primeira vez a estar preso. O meu erro foi receber o dinheiro. Praticamente conheci o Obama por causa do fim do meu contrato, porque eu trabalhava no Terminal de Carga’’, disse.
‘‘Estávamos no Nandó a beber quando o senhor Obama nos chamou e pediu para ficarmos do lado de fora, enquanto eles entravam no armazém. Já eram 04h00 da manhã, e depois de duas semanas, o Obama veio entregar o dinheiro e disse que tinha sido o senhor Léo quem o enviou’’, relatou.
Morador do município do Cazenga, Agostinho Jorge explicou que se deslocou para o bairro Calemba II, onde vive a mãe e acabou por estabelecer amizades que, segundo as autoridades, o colocaram no centro das investigações dos referidos crimes.
Apesar de admitir que tinha conhecimento da reputação criminosa de "Obama", o suspeito reconheceu ter aceite os valores monetários provenientes da acção ilícita, uma decisão que considera ter sido o maior erro da sua vida.
As autoridades sustentam que os elementos recolhidos durante a investigação apontam para o envolvimento do grupo nos homicídios dos dois profissionais de segurança privada.
Os casos, que resultaram na morte de António Vasco Augusto, de 51 anos, e José Gonçalves Vicente, de 38 anos, voltam a evidenciar a violência associada aos roubos qualificados em Luanda e reforçam o apelo à responsabilização dos autores destes crimes que deixaram duas famílias mergulhadas na dor e na busca por justiça.
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