As vítimas foram identificadas como Teresa Afonso, de 29 anos, grávida de seis meses, Rosa André Gomes Paulo, de 2 anos, Miliana Madalena, de 12 anos, e Gomes André Paulo, de 9 anos. O crime, que chocou o país, ocorreu por volta das 21 horas, quando a família se encontrava na sua residência.
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De acordo com informações apuradas, uma adolescente de 16 anos, também integrante do agregado familiar, terá saído temporariamente de casa a pedido da mãe para efectuar uma compra numa cantina próxima, regressando posteriormente ao local onde a tragédia já se tinha consumado.
Para os moradores, o caso representa apenas a face mais visível de um problema antigo: a crescente criminalidade que assola o bairro.
Apesar dos esforços realizados pelas autoridades nos últimos anos, incluindo a entrega de meios rolantes e equipamentos à Esquadra do Bairro Paraíso pelo então governador provincial de Luanda, Manuel Homem, em Abril de 2023, a população considera que a presença policial continua insuficiente para responder aos desafios da segurança local.
Dona Paula, nome fictício, descreve um ambiente de medo permanente.
"A vida aqui é medonha. O índice de criminalidade é muito alto. Não vivemos à vontade e não nos sentimos protegidos. Os marginais actuam de dia e de noite. Muitos jovens entraram para a criminalidade por falta de oportunidades e outros por opção. O que aconteceu com esta família não é normal. Aqui, por volta das 19 ou 20h00, muitos moradores já fecham os portões. Quando os nossos maridos demoram a chegar à casa, passamos horas de aflição", relatou.
Entre os jovens, a percepção é semelhante. Gildo Alfredo, de 24 anos, afirmou que existem zonas consideradas mais tranquilas durante o dia, mas que a insegurança aumenta consideravelmente durante a noite.
"Paraíso é só no nome. Aqui a realidade é complicada, sobretudo para os jovens. Quem está focado nos estudos ou numa formação precisa ter muito cuidado. Há casos de agressões e assaltos direccionados. Chamam-nos de 'achados' e, se reagirmos, partem logo para a violência", conta.
Já Idalina afirmou permanecer no bairro apenas por possuir habitação própria.
"Se não fosse a minha casa, já teria saído daqui há muito tempo. O bairro oferece mais insegurança do que segurança. Há quem esteja habituado ao ambiente, mas muitos sonham em ir embora", lamenta.
Perante o sentimento generalizado de medo, os moradores apelam às autoridades para o reforço urgente do policiamento, aumento de patrulhas nocturnas e implementação de medidas sociais que possam afastar os jovens da criminalidade.
Enquanto prosseguem as investigações sobre a chacina que abalou Cacuaco e o país, a população do Bairro Paraíso espera que a tragédia sirva de alerta para uma intervenção mais efectiva do Estado na segurança e protecção das comunidades locais.



































