A posição foi manifestada pela Representante Permanente de Angola junto do Escritório das Nações Unidas e de outras Organizações Internacionais em Genebra, Ana Maria de Oliveira, durante a Reunião de Alto Nível da 81.ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, que assinalou o 25.º aniversário da adopção da Declaração e Programa de Acção de Durban.
Na sua intervenção, a diplomata reafirmou o compromisso de Angola com a implementação plena, efectiva e não selectiva da Declaração de Durban, reconhecendo os progressos alcançados, mas alertando para o ressurgimento de manifestações de racismo, discriminação e intolerância.
Ana Maria de Oliveira destacou a adopção, a 25 de Março de 2026, da Resolução A/RES/80/250 da Assembleia Geral das Nações Unidas, que reconhece o tráfico de africanos escravizados e a escravização racializada de africanos como “o mais grave crime contra a humanidade”.
Para a diplomata, o reconhecimento das responsabilidades históricas deve ser acompanhado por medidas concretas de reparação, reconciliação e promoção da igualdade, defendendo maior responsabilização institucional perante as consequências de injustiças que continuam a afectar populações de ascendência africana.
Ao abordar a experiência histórica de Angola, a representante angolana afirmou que a luta contra o colonialismo esteve igualmente ligada à defesa da liberdade, autodeterminação, dignidade, igualdade e dos direitos fundamentais.
A intervenção abordou também os desequilíbrios existentes nas relações económicas internacionais. Segundo Ana Maria de Oliveira, parte dessas assimetrias mantém raízes históricas e continua a reflectir-se nas estruturas financeiras, comerciais e de governação global.
A diplomata saudou os mecanismos das Nações Unidas destinados ao combate ao racismo e à discriminação racial e defendeu o reforço da implementação da Segunda Década Internacional dos Afrodescendentes, com recursos adequados para a concretização dos seus objectivos.
No plano interno, informou que Angola está a elaborar o Relatório Inicial no âmbito da Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial.
Na parte final da intervenção, Ana Maria de Oliveira defendeu uma resposta assente em liderança, participação, acesso à justiça e responsabilização, acompanhada de investimentos na educação e na preservação da memória histórica. Incluiu ainda entre as prioridades o combate aos estereótipos, ao discurso de ódio e às novas manifestações de intolerância no espaço digital.



































