Os mercados financeiros africanos registaram progressos no último ano, impulsionados pela redução da inflação, pelo reforço das reservas cambiais e pela implementação de reformas regulamentares.
Os resultados constam do Índice dos Mercados Financeiros Africanos de 2026, elaborado pelo banco Absa, em parceria com o grupo de reflexão OMFIF, que aponta, contudo, a falta de liquidez como um dos principais entraves à mobilização de capitais no continente.
O estudo, que abrange 29 países, revela que a pontuação média atingiu 56 pontos, o valor mais elevado dos últimos dez anos. A África do Sul manteve a liderança, seguida pelas Maurícias e pela Namíbia, enquanto Cabo Verde protagonizou a maior subida, ao avançar seis posições para o 13.º lugar. O Gana também melhorou a sua classificação, passando para a sexta posição, beneficiando da redução da inflação e do aumento da actividade no mercado accionista.
Em sentido contrário, o Botswana e a Nigéria recuaram duas posições, ocupando o sétimo e o oitavo lugares, respectivamente. A descida da Nigéria foi influenciada pela deterioração dos indicadores de acesso a divisas e transparência, enquanto o Botswana foi penalizado pelo agravamento da inflação.
Apesar dos resultados positivos, o relatório alerta que o crescimento da oferta de produtos financeiros e a melhoria das infra-estruturas de mercado ainda não se reflectem num aumento consistente das operações de compra e venda de activos. Esta situação limita a capacidade das empresas de obterem financiamento para projectos de longo prazo, sobretudo nas áreas das infra-estruturas e do desenvolvimento económico.
O índice avalia as condições de acesso e movimentação de capitais, considerando factores como os mercados accionistas e obrigacionistas, o acesso à moeda estrangeira, as poupanças dos fundos de pensões, o ambiente económico e o quadro regulamentar. Na sua décima edição, o estudo adoptou uma metodologia revista, baseada em parâmetros fixos de boas práticas, permitindo uma comparação mais consistente entre os países e ao longo dos anos.
Quanto a Angola, o relatório de 2026 não apresenta uma análise específica sobre o país. Na edição de 2025, a economia angolana ocupava a 24.ª posição entre as 29 avaliadas, evidenciando os desafios ainda existentes no desenvolvimento do mercado financeiro nacional.



































