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POLITICA Publicado em 13/10/2026 às 14:52 19 visualizações

JOÃO LOURENÇO DEFENDE INOVAÇÃO AGRÍCOLA E APONTA CORREDOR DO LOBITO COMO MOTOR DA SEGURANÇA ALIMENTAR EM ÁFRICA

O Presidente da República, João Lourenço, defendeu, em Roma, o reforço do investimento e da inovação agrícola para combater a fome em África, destacando o programa de combate à seca no Sul de Angola, orçado em 4,2 mil milhões de dólares, e o Corredor do Lobito como instrumento estratégico para impulsionar a produção e a segurança alimentar.

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JOÃO LOURENÇO DEFENDE INOVAÇÃO AGRÍCOLA E APONTA CORREDOR DO LOBITO COMO MOTOR DA SEGURANÇA ALIMENTAR EM ÁFRICA
Imagem: CIPRA

Sob o lema «Inovar Hoje para Alimentar Amanhã», o Fórum Mundial da Alimentação de 2026 serviu de palco para João Lourenço defender uma abordagem integrada dos sistemas alimentares, sustentando que o combate à fome exige mais do que o aumento da produção agrícola.

Para o Presidente angolano, é necessário conjugar capacidade tecnológica, formação técnica, mobilização de recursos financeiros e políticas públicas capazes de responder aos desafios económicos, sociais e ambientais que condicionam o acesso aos alimentos.

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Na sua intervenção, o estadista chamou a atenção para o contraste entre a abundância alimentar existente em países com elevada capacidade produtiva e tecnológica e as dificuldades enfrentadas por milhões de pessoas em diferentes regiões do mundo. Uma realidade que, no seu entendimento, exige a passagem do diagnóstico à implementação de medidas concretas, incluindo a transferência de tecnologia, a capacitação das comunidades e o investimento nos sectores agrícolas dos países menos desenvolvidos.

João Lourenço apontou os conflitos armados, as alterações climáticas e as fragilidades das cadeias de abastecimento entre os principais factores que agravam a insegurança alimentar. As secas severas, as inundações, a desertificação e o aumento de pragas constituem, igualmente, ameaças à produção agrícola, exigindo maior capacidade de adaptação e o recurso ao conhecimento científico.

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Neste quadro, o Presidente da República defendeu uma cooperação internacional assente na concertação e na consideração dos interesses comuns, em oposição a modelos de relacionamento que privilegiem a dominação e vantagens unilaterais. Na sua perspectiva, a paz, a estabilidade e a segurança internacional são condições fundamentais para o desenvolvimento das economias e para a redução da fome e da pobreza.

África perante o desafio de transformar potencial em produção

Ao abordar a realidade africana, João Lourenço considerou inaceitável que um continente dotado de extensas terras aráveis, abundantes recursos hídricos e condições climáticas favoráveis continue confrontado com níveis preocupantes de fome e desnutrição.

Para inverter este quadro, defendeu políticas realistas, adaptadas às capacidades de cada país, que combinem tecnologias disponíveis, conhecimentos científicos, práticas tradicionais e formação profissional, com espcial destaque paea agricultura familiar como a espinha dorsal dos sistemas de produção alimentar africanos.

Programa de combate à seca mobiliza investimento de 4,2 mil milhões de dólares

No plano nacional, João Lourenço apresentou o Programa de Combate aos Efeitos da Seca no Sul de Angola (PCESSA), que abrange as províncias do Cunene, Huíla e Namibe e está orçado em 4,2 mil milhões de dólares norte-americanos.

De acordo com o Presidente da República, o programa encontra-se parcialmente executado e foi concebido para contribuir significativamente para o combate à fome e à pobreza nas regiões abrangidas.

Entre as principais intervenções previstas constam a construção de albufeiras destinadas ao armazenamento de milhões de metros cúbicos de água transferida do rio Cunene, bem como a implantação de centenas de quilómetros de canais a céu aberto. Estas infra-estruturas deverão assegurar o abastecimento de água às populações e criar condições para o desenvolvimento da agricultura e da pecuária ao longo do ano, reduzindo a dependência das condições climáticas.

FAO e Corredor do Lobito na estratégia de desenvolvimento agrícola

O Presidente angolano destacou também a cooperação com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), considerando-a importante para a definição de prioridades e para a aproximação entre zonas de produção, centros de transformação alimentar e mercados.

Neste domínio, salientou a relevância das iniciativas Hand-in-Hand e AgroCorredores, apontadas como instrumentos de promoção do investimento, do desenvolvimento do agronegócio e do aumento da competitividade da agricultura nacional.

O Corredor do Lobito ocupou igualmente uma posição de destaque no discurso. Para João Lourenço, a sua importância ultrapassa a dimensão logística, na medida em que poderá estimular a criação de indústrias, favorecer o surgimento de novas cadeias regionais de valor e ligar o potencial produtivo de diferentes países aos mercados regionais e internacionais.

A infra-estrutura é apresentada, assim, como uma oportunidade para aprofundar a integração económica africana, facilitar a circulação de pessoas e mercadorias e ampliar as possibilidades de comercialização da produção agrícola e pecuária.

O Presidente associou esta perspectiva à Zona de Comércio Livre Continental Africana, que, segundo referiu, representa um mercado de aproximadamente 1,5 mil milhões de consumidores, e às prioridades da Agenda 2063 da União Africana, particularmente no domínio da construção de infra-estruturas essenciais ao desenvolvimento.

A concretização destas oportunidades exigirá, porém, a articulação entre investimentos logísticos, capacidade produtiva, transformação industrial e acesso efectivo aos mercados, de modo que os benefícios económicos possam alcançar também os agricultores e as comunidades locais.

Redacção
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