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SOCIEDADE Publicado em 26/09/2026 às 12:07 44 visualizações

AMIZADE OU COMPETIÇÃO? QUANDO O SUCESSO DE UMA MULHER INCOMODA OUTRA

Entre confidências, disputas por cargos, inveja e oportunidades, as relações entre mulheres no ambiente profissional continuam a ser marcadas por desafios que podem transformar amizades em rivalidades.

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AMIZADE OU COMPETIÇÃO? QUANDO O SUCESSO DE UMA MULHER INCOMODA OUTRA
Imagem: DR Ponto de Situação

No programa “Um Ponto com Elas”, a comunicóloga e assessora de comunicação Anacleta de Oliveira defendeu mais sororidade, respeito e capacidade de celebrar as conquistas umas das outras.

Falar de amizade no mundo profissional é falar também de limites, confiança e maturidade. Para Anacleta de Oliveira, a amizade é um laço forte, construído para permanecer nos bons e nos maus momentos, mas que precisa de ser bem gerido quando entra no ambiente de trabalho.

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A comunicóloga alerta, sobretudo, para os perigos de confundir amizade com privilégios dentro das instituições. Segundo Anacleta, ter uma relação próxima com uma chefe ou com um responsável da organização não deve servir de argumento para ultrapassar limites ou tratar os demais colegas de forma diferente. “O CEO é meu amigo” não pode transformar-se numa autorização para fazer tudo ou falar com os outros de qualquer maneira.

Questionada sobre a possibilidade de existir uma verdadeira amizade entre duas mulheres que disputam a mesma oportunidade profissional, Anacleta considerou que é possível, mas reconheceu que, em muitos casos, o ego, a inveja e a dificuldade de lidar com o sucesso da outra acabam por falar mais alto.

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Para a convidada, ainda existe dificuldade em elogiar, apoiar e reconhecer o potencial de outra mulher. Uma colega que se destaca, tem uma presença forte ou conquista uma oportunidade que pode ser vista como uma ameaça, quando poderia ser encarada como uma inspiração.

“Quando uma amiga se levanta, o meu ego deve falar mais alto para agradecer, apoiar, enaltecer e encorajar”, defendeu, apelando às mulheres para que não vejam o crescimento umas das outras como uma ameaça, mas como uma oportunidade de aprendizagem e crescimento colectivo.

Outro desafio apontado por Anacleta está relacionado com a partilha de conhecimentos. Para ela, ainda existem mulheres que têm dificuldade em ensinar aquilo que sabem por receio de que a colega cresça e, posteriormente, se torne uma concorrente. No entanto, entende que o verdadeiro carácter também se revela na capacidade de transmitir conhecimento e ajudar outras mulheres a desenvolverem os seus talentos.

A confiança, por sua vez, surge como outro ponto sensível nas relações profissionais. Partilhar planos, dificuldades ou fragilidades com uma colega que também é amiga pode ser natural, mas exige cautela. Anacleta considera que nem todas as pessoas têm a capacidade de preservar aquilo que lhes é confiado e que, muitas vezes, uma confidência pode rapidamente transformar-se em assunto de corredor.

A convidada também chamou atenção para a inveja entre mulheres, sobretudo quando questões materiais, cargos ou oportunidades entram em jogo. Segundo Anacleta, há situações em que algumas pessoas chegam a celebrar as dificuldades ou os fracassos de outras, em vez de procurar compreender aquilo que estão a viver.

“Por que não estender a mão à outra, sabendo que um dia alguém também nos estendeu a mão?”, questionou a comunicóloga, defendendo uma postura de maior empatia e solidariedade.

E quando a confiança é quebrada? Para Anacleta, o perdão deve continuar a existir, embora seja de opinião que, recuperar a confiança seja um processo difícil.

Comparando a confiança a um cristal, explicou que, depois de quebrada, dificilmente volta ao estado anterior. Ainda assim, considera que o perdão deve encontrar espaço nas relações, lembrando o ensinamento bíblico sobre ‘‘perdoar setenta vezes sete”.

Sobre a competição por cargos, Anacleta foi directa: “O cargo é que nos vai matar”, numa reflexão sobre a pressa de algumas mulheres em conquistar posições e sobre a dificuldade de esperar pelo momento certo.

Para a comunicóloga, a carreira não deve transformar-se numa guerra permanente, porque o mesmo sol que brilha para uma mulher também pode brilhar para outra. O imediatismo, segundo explicou, pode levar algumas pessoas a tomar atitudes prejudiciais por uma posição profissional que, no final, não representa tudo aquilo que a vida tem para oferecer.

No encerramento, Anacleta deixou uma mensagem às mulheres: é preciso abandonar o excesso de ego, o “eu faço”, “eu sei” e “só eu consigo”, para abrir espaço ao apoio mútuo.

Apoiar, ensinar, elogiar, encorajar e estender a mão são atitudes que, na sua perspectiva, podem contribuir para relações profissionais mais saudáveis e para uma sociedade mais coesa.

A mensagem final foi clara: ‘‘quando uma mulher cresce, outra não precisa se diminuir. Há espaço para todas voarem’’.

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