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ECONOMIA Publicado em 20/10/2026 às 11:52 19 visualizações

ANGOLA REFORÇA PARCERIAS FINANCEIRAS INTERNACIONAIS E ASSUME DIRECÇÃO EXECUTIVA NO FMI

Angola reforçou as relações com instituições financeiras internacionais e apresentou os progressos da economia nacional durante as Reuniões Anuais do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI), realizadas de 12 a 18 de Outubro, em Banguecoque, na Tailândia.

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ANGOLA REFORÇA PARCERIAS FINANCEIRAS INTERNACIONAIS E ASSUME DIRECÇÃO EXECUTIVA NO FMI
Imagem: Giranotícias

A delegação angolana, que integrou o secretário de Estado para as Finanças e Tesouro, Ottoniel dos Santos, participou numa agenda de reuniões estatutárias, encontros bilaterais e contactos com instituições financeiras, agências de notação de risco e parceiros internacionais, com o objectivo de consolidar a cooperação económica e financeira e identificar oportunidades de financiamento para o país.

No balanço da participação, Ottoniel dos Santos considerou positivos os resultados alcançados, destacando o reforço das relações institucionais, a análise de operações financeiras em curso e as perspectivas de aprofundamento da cooperação, particularmente no domínio da gestão da dívida pública.

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Durante os encontros, a delegação apresentou os desenvolvimentos recentes da economia angolana, com destaque para os indicadores macroeconómicos, a gestão das finanças públicas, a política monetária e as operações de gestão da dívida.

Neste âmbito, foram abordadas emissões internacionais de títulos no valor global de quatro mil milhões de dólares e operações de gestão de passivos avaliadas em 1,2 mil milhões de dólares, enquadradas nos esforços para assegurar a sustentabilidade da dívida pública.

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A agenda bilateral incluiu reuniões com o J.P. Morgan, o Banco Japonês para a Cooperação Internacional (JBIC), o Standard Bank London, o Intercontinental Investment Bank de Cabo Verde, o Nexent Bank, o Société Générale, o Standard Chartered, o Banco Bilbao Vizcaya Argentaria (BBVA) e a Africa Finance Corporation (AFC). Os contactos visaram aprofundar as relações financeiras e avaliar possibilidades de cooperação em áreas estratégicas para a economia nacional.

No plano multilateral, Angola participou na Reunião Ministerial do Grupo Intergovernamental dos Vinte e Quatro (G-24), dedicada aos efeitos da fragmentação económica global sobre as economias emergentes e em desenvolvimento. A sustentabilidade da dívida, a mobilização do investimento privado, a integração regional, a diversificação económica e a reforma da arquitectura financeira internacional estiveram entre os principais temas debatidos.

A mobilização de capital público e privado, o investimento em infra-estruturas, a criação de emprego e a utilização eficiente dos recursos públicos foram igualmente destacados como factores importantes para estimular o crescimento sustentável e ampliar as oportunidades económicas.

Angola assume representação na direcção executiva do FMI

Um dos pontos relevantes da participação angolana foi a transição na Direcção Executiva da Constituência junto do FMI, com a saída de Adriano Ubisse e a indicação de Pedro Castro e Silva para representar o grupo de países africanos abrangido pela respectiva constituência.

Angola assume a direcção executiva a partir de 1 de Novembro, reforçando a sua participação na articulação dos interesses dos países representados junto dos órgãos de decisão da instituição.

No Banco Mundial, foi também destacada a designação de Pedro Luís da Fonseca para o cargo de director executivo da constituência que integra Angola, África do Sul e Nigéria. Estas funções são relevantes para a representação dos países junto das instituições multilaterais e para o acompanhamento das decisões relacionadas com o financiamento do desenvolvimento.

À margem das reuniões, Ottoniel dos Santos abordou com o director executivo cessante do FMI, Adriano Ubisse, os progressos alcançados por Angola na estabilização macroeconómica, na gestão da dívida pública e na diversificação da economia.

O governante destacou o desempenho económico registado em 2026, impulsionado sobretudo pelo sector não petrolífero, mas reconheceu a necessidade de acelerar a diversificação económica e ampliar as receitas não petrolíferas, de modo a reduzir a dependência das receitas provenientes do petróleo.

No domínio fiscal, salientou a reforma dos subsídios aos combustíveis e a implementação de mecanismos de protecção social destinados aos grupos mais vulneráveis, bem como a importância do reforço da transparência e da prestação de contas na gestão orçamental. Quanto à dívida pública, abordou o regresso do país aos mercados internacionais de capitais e a necessidade de assegurar uma gestão compatível com a sustentabilidade das contas públicas.

Perspectivas de crescimento económico

As perspectivas económicas apresentadas no balanço da participação apontam para uma revisão em alta do crescimento de Angola. Segundo as projecções do FMI citadas no documento, a economia angolana deverá crescer 4,4 por cento em 2026, depois de ter registado uma expansão de 3,1 por cento em 2025, antes de abrandar para 3,3 por cento em 2027.

Para a economia mundial, as mesmas projecções apontam para um crescimento de 3,1 por cento em 2026 e de 3,4 por cento em 2027. A revisão das perspectivas para Angola reflecte uma melhoria face às estimativas anteriores referidas no documento, que apontavam para um crescimento de 2,3 por cento em 2026 e de 2,6 por cento em 2027.

Apesar das perspectivas mais favoráveis, a consolidação do crescimento dependerá da capacidade de ampliar a produção não petrolífera, mobilizar investimento, aumentar as receitas fiscais não petrolíferas e garantir uma gestão prudente da dívida pública.

Os resultados da participação nas Reuniões Anuais do Banco Mundial e do FMI deverão, assim, ser enquadrados nas prioridades da política económica e financeira nacional, tendo em conta a Estratégia de Endividamento de Médio Prazo e os objectivos de diversificação económica, criação de emprego e melhoria das condições de vida da população.

Redacção
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