A União Europeia começa a reforçar a sua resposta ao crescente desequilíbrio comercial com a China, depois de alcançar um acordo para limitar as importações de automóveis híbridos chineses. A medida, acordada a 9 de Outubro, em Pequim, entre o comissário europeu do Comércio, Maroš Šefčovič, e o ministro chinês do Comércio, Wang Wentao, prevê a introdução de quotas durante quatro anos.
Segundo informações divulgadas pela imprensa, o limite inicial será de 350 mil veículos no primeiro ano, com um aumento de 6% nos anos seguintes. As importações que ultrapassarem as quantidades estabelecidas poderão enfrentar restrições ou tarifas elevadas.
Em 2025, a União Europeia importou cerca de 300 mil automóveis híbridos chineses, enquanto as previsões para este ano apontavam para aproximadamente 800 mil unidades.
A pressão sobre Bruxelas intensificou-se após o excedente comercial da China com a União Europeia atingir 34,8 mil milhões de dólares em Setembro, um aumento de quase 21% face ao mesmo período do ano anterior. No mesmo mês, as exportações chinesas para o bloco europeu ultrapassaram, pela primeira vez, os 60 mil milhões de dólares.
O Centro de Estudos Orientais (OSW), um organismo de análise polaco, prevê que o défice comercial europeu com a China possa superar os 400 mil milhões de euros em 2026.
Indústria europeia exige medidas mais abrangentes
Apesar do acordo sobre os automóveis híbridos, especialistas consideram que a medida poderá ter um impacto limitado no desequilíbrio comercial, por não enfrentar as suas causas estruturais. Entre os factores apontados estão os subsídios à produção chinesa, a fraca procura interna e o excesso de capacidade industrial, que favorecem a colocação de grandes volumes de produtos nos mercados externos.
Neste contexto, a Alemanha e a França defendem mecanismos mais rigorosos para restringir o acesso ao mercado europeu em determinadas circunstâncias e reduzir a dependência de fornecedores únicos. 44 associações industriais europeias também apelaram à criação de novos instrumentos para combater as distorções associadas à política industrial chinesa.
A preocupação está relacionada com a capacidade das empresas europeias para competir com produtos chineses, num cenário marcado pelo aumento das exportações de Pequim e pela pressão sobre sectores industriais estratégicos do bloco comunitário.
Apesar da existência de instrumentos comerciais para responder ao problema, alguns especialistas alertam que a sua eficácia dependerá da disposição dos governos europeus para os aplicar. Um analista do instituto britânico Chatham House considerou que a disponibilidade de mecanismos de defesa comercial não garante resultados sem capacidade de execução e determinação política.
Por sua vez, o antigo primeiro-ministro britânico Rishi Sunak defendeu a criação de uma coligação internacional para enfrentar o crescente peso económico da China. Na sua perspectiva, a coordenação entre países será fundamental para evitar uma dependência excessiva de Pequim e reduzir as assimetrias nas relações comerciais internacionais.
O debate evidencia o desafio que a União Europeia enfrenta para proteger a sua indústria, preservar a competitividade económica e equilibrar as relações comerciais com a China, um dos seus principais parceiros económicos.



































