A Associação para o Desenvolvimento Rural e Ambiente (ADRA) alertou que Angola tem garantidos apenas entre 18% e 20% das 800 mil toneladas de fertilizantes necessárias para o ano agrícola 2026/2027, situação que poderá limitar a capacidade produtiva dos agricultores.
O alerta foi lançado pelo director da organização, Semeone Chiculo, à margem da abertura oficial do ano agrícola, realizada na comuna da Mongua, município do Cuanhama, província do Cunene. Segundo o responsável, a insuficiência de insumos agrícolas continua a ser um dos principais obstáculos ao desenvolvimento do sector.
Semeone Chiculo apontou também as dificuldades financeiras, materiais e humanas enfrentadas pelo Instituto de Desenvolvimento Agrário (IDA) e pelas Estações de Desenvolvimento Agrário (EDAs), que asseguram a assistência técnica aos agricultores familiares. A falta de recursos limita o acompanhamento dos produtores, sobretudo nas comunidades rurais, onde a agricultura constitui uma importante fonte de subsistência.
Outro problema destacado é a insuficiência de electrificação nas zonas rurais, que dificulta a instalação de infra-estruturas para a conservação e transformação dos produtos agrícolas, reduzindo as possibilidades de aproveitamento da produção. No sector pecuário, o responsável chamou a atenção para a falta de assistência veterinária e de farmácias destinadas ao atendimento dos criadores de gado.
A campanha agrícola 2026/2027 arrancou sob o lema do aumento da produção nacional, num contexto em que Angola procura reforçar a segurança alimentar e reduzir a dependência das importações. O desafio é particularmente relevante para as províncias do sul, frequentemente afectadas pela seca e pelos efeitos das alterações climáticas.



































