O Executivo angolano pretende transformar o combate à seca no sul do país numa estratégia de desenvolvimento sustentável, através da construção de barragens, canais adutores e bacias de retenção para reforçar o abastecimento de água e aumentar a produção agrícola.
A informação foi avançada esta segunda-feira, 26, pelo ministro da Agricultura e Florestas, Isaac Francisco Maria dos Anjos, durante a abertura do ano agrícola, na província do Cunene. O governante defendeu a necessidade de substituir as respostas de emergência por soluções estruturais capazes de reduzir os efeitos da estiagem e melhorar as condições de vida das populações.
Entre os projectos destacados estão as barragens do Calucuve e do Ndué, inauguradas a 5 de Setembro, no Cunene. A primeira tem capacidade para armazenar 100 milhões de metros cúbicos de água e integra um canal adutor de 111 quilómetros, enquanto a segunda pode armazenar 145 milhões de metros cúbicos e dispõe de um canal de 75 quilómetros. As duas infra-estruturas foram concebidas para reforçar o abastecimento às comunidades, garantir água para o gado e apoiar a actividade agrícola.
O ministro destacou igualmente o sistema de transferência de água do Cafu, composto por um canal inicial de 100 quilómetros e uma variante de 60 quilómetros, apoiados por 55 bacias de retenção. No conjunto, os investimentos apresentados visam disponibilizar cerca de 160 mil hectares de terras potencialmente irrigáveis, criando condições para aumentar a produção agropecuária.
Outro projecto referido foi o da barragem de Hita Hita, com capacidade para armazenar 25 milhões de metros cúbicos de água, que prevê ainda a reabilitação de nove represas no município da Cahama e o abastecimento às localidades da Cahama e de Otchinjau. Já o projecto de Calueque poderá viabilizar até 120 mil hectares de terras irrigáveis, segundo o governante.
Isaac dos Anjos recordou que a seca continua a representar um desafio recorrente para as comunidades do sul de Angola, evocando iniciativas anteriores e a deslocação do Presidente da República, João Lourenço, ao Cunene, em 2017, para constatar as dificuldades enfrentadas pelas populações no acesso à água.
Com estes investimentos, o Executivo pretende reforçar a segurança hídrica e alimentar, reduzir a vulnerabilidade das comunidades à estiagem e criar novas oportunidades de desenvolvimento económico nas províncias do Cunene, da Huíla e do Namibe.



































