Considerado, durante décadas, uma referência a nível mundial, o concurso perdeu credibilidade na sequência das denúncias que vieram a público na época, levando a organização a suspender temporariamente o evento.
De acordo com as revelações, o escândalo em torno deste concurso de beleza, na Venezuela, ganhou maior dimensão a partir de Maio daquele ano, altura em que antigas concorrentes decidiram trazer o caso à superfície.
Migbelis Castellanos, representante da Venezuela no Miss Universo de 2014, foi uma das figuras que teve coragem de denunciar tais práticas.
Patricia Velásquez, antiga candidata ao Miss Venezuela realizado em 1989, já havia abordado esta problemática em 2015, na sua autobiografia Sin tacones, sin reservas, na qual relatou ter recorrido à prostituição para conseguir financiar a sua participação no universo dos concursos de beleza.
As denúncias não ficaram por aqui. Annarela Bono, antiga mulher de Antonio Morales, ex-colaborador do Governo de Hugo Chávez, e a modelo Hannely Quintero também se pronunciaram sobre alegadas relações entre candidatas, empresários e funcionários públicos, nas quais o acesso a recursos financeiros estaria associado à prestação de favores sexuais.
Posteriormente, surgiram informações segundo as quais vários empresários e entidades do sector político, manifestavam interesse em patrocinar concorrentes ao Miss Venezuela, alegadamente em troca de favores sexuais. Algumas aceitavam as propostas, enquanto outras optavam por recuar, de modo a preservar a sua reputação.
Perante a gravidade das denúncias, a organização do Miss Venezuela decidiu rever as regras do concurso, com o objectivo de recuperar a imagem construída ao longo dos anos e restabelecer a credibilidade da instituição.
Entre as medidas anunciadas estavam a reformulação do código de ética e o reforço do controlo sobre as fontes de financiamento das candidatas e do próprio concurso, procurando evitar a repetição de escândalos relacionados com alegados favores sexuais e actos de corrupção.
Meses depois das denúncias, o concurso voltou a realizar-se, numa edição marcada por mudanças internas e pela tentativa de recuperar a credibilidade da organização.
A 13 de Dezembro de 2018, Isabella Rodríguez, representante do Estado de Portuguesa, foi eleita Miss Venezuela, numa cerimónia realizada no Long Beach Events Center, em Caracas, que contou com a participação de 24 candidatas.
Importa referir que o escândalo que abalou o Miss Venezuela veio reforçar as suspeitas levantadas em torno de alguns concursos de beleza a nível internacional, nomeadamente sobre a possibilidade de determinadas candidatas beneficiarem de práticas pouco transparentes para alcançar a vitória, em detrimento da lisura e da igualdade de oportunidades.
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