Cada pessoa deve celebrar o seu casamento da forma que entender, desde que respeite quem participa e testemunha esse momento, bem como os responsáveis pela organização do evento. Liberdade não significa ausência de limites.
Nos últimos dias, foram colocados a circular, nas redes sociais, vídeos que mostram danças e outros comportamentos em festas de casamento que, no meu entender, merecem repúdio e reflexão.
Vejamos o primeiro cenário.
Uma jovem dançava de forma tão ousada que alguns convidados desviavam o olhar, enquanto outros aplaudiam. A determinado momento, efectuou um movimento que expôs as suas partes íntimas. Perante este comportamento, acabou por ser retirada do local, numa clara tentativa de impedir que a comemoração se transformasse num escândalo.
Quem eventualmente estivesse no local acompanhado da sua companheira, ou vice-versa, poderá ter vivido um momento de constrangimento. O mesmo se aplica a quem, reprova comportamentos desta natureza.
Que situação!
Espero, sinceramente, que não volte a repetir-se.
Outro episódio que vi nas redes sociais envolvia um noivo que beijava os seios da sua companheira em pleno salão, diante dos convidados, como se aquele espaço público fosse um ambiente reservado à intimidade do casal.
Há momentos que pertencem exclusivamente aos dois. Certos gestos poderiam perfeitamente ter sido guardados para a lua-de-mel ou para outros momentos de intimidade, em vez de serem expostos perante familiares, padrinhos, amigos e demais convidados.
Não se trata apenas da imagem dos noivos. A exposição de comportamentos íntimos pode ter consequências para a imagem do casal, dos padrinhos, dos pais e de outros familiares, sobretudo numa época em que qualquer vídeo publicado nas redes sociais pode alcançar milhares de pessoas em poucos minutos.
Foi uma situação constrangedora. Sinceramente, pouco importa quais tenham sido as reais intenções do casal naquele momento. Pouco importa também a sua origem, a forma como os padrinhos ou familiares encararam o episódio ou se alguém presente considerou aquilo normal.
Há valores que devem ser preservados.
Devemos respeitar a nossa cultura, as normas sociais e, acima de tudo, os convidados que aceitaram estar presentes para testemunhar um momento importante na vida do casal.
A diversão não pode transformar-se em promiscuidade.
Da mesma forma que os convidados devem respeitar os noivos, os noivos também devem respeitar os convidados.
Sem entrar em detalhes, comportamentos ainda mais íntimos envolvendo outro casal também foram expostos num evento de casamento. Prefiro não entrar nos pormenores, por uma questão de respeito.
Mas fica a reflexão: por que razão transformar um momento de intimidade num espectáculo público?
Ninguém precisa de conhecer os vossos dotes íntimos. Há coisas que pertencem ao casal e devem permanecer no espaço reservado à intimidade, e não diante de dezenas ou centenas de pessoas, como se estivéssemos perante uma produção destinada a adultos.
É preciso pensar nas consequências.
Como será amanhã, quando os vossos filhos, netos, amigos ou outras pessoas próximas encontrarem esses vídeos nas redes sociais? Como serão vistos? Que valores irão transmitir à sociedade? E como passarão a olhar para vocês as mesmas pessoas que testemunharam aqueles momentos?
Mais importante ainda: que testemunho deixarão?
Não devemos normalizar tudo.
Quando algo está errado, devemos ter coragem de dizê-lo. Quando um comportamento ultrapassa os limites do respeito e do bom senso, não devemos escondê-lo atrás da palavra “diversão”.
Espero que situações desta natureza não voltem a acontecer, seja através de danças excessivamente explícitas, seja através da exposição de momentos de intimidade dos próprios noivos ou de outros comportamentos inadequados durante festividades do género.
Precisamos de ganhar consciência e compreender que a construção de uma sociedade melhor começa também pelas pequenas escolhas que fazemos.
O primeiro respeito deve partir de nós. Só assim teremos legitimidade para exigir respeito dos outros.
A modernidade tem regras, a liberdade tem limites e diversão também.
Nas festas de casamento, como em qualquer outro espaço de convivência social, há momentos para comemorar, momentos para brincar e momentos que devem permanecer privados.
Nem tudo deve valer.
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