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PONTO DE VISTA Publicado em 13/06/2026 às 12:19 33 visualizações

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA NÃO ESCOLHE ROSTOS: UNS DENUNCIAM E OUTROS SE CALAM

Estava presente num daqueles momentos onde a tristeza é a nota dominante, mas onde, paradoxalmente, a vida insiste em ser discutida.

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VIOLÊNCIA DOMÉSTICA NÃO ESCOLHE ROSTOS: UNS DENUNCIAM E OUTROS SE CALAM
Imagem gerada por IA

Em Angola, os óbitos têm a singularidade de serem locais de reencontro e de reflexão profunda: entre o luto e a perda, surgem debates que nos obrigam a olhar para o mundo sob novas perspectivas.

Recentemente, durante um desses momentos de recolhimento, o diálogo desviou-se das lamentações habituais para uma questão social urgente. Alguém trouxe a público o caso de um familiar que é vítima de violência física por parte da própria esposa. O silêncio instalou-se no grupo e, subitamente, a atenção de todos convergiu para aquela narrativa.

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O detalhe mais inquietante? A agressora é uma profissional que conhece profundamente a lei e, ironicamente, trabalha numa instituição que lida diariamente com casos de violência doméstica.

A partir desse relato, o debate intensificou-se. Outras histórias foram partilhadas: casos de homens agredidos e, claro, a realidade persistente da violência contra a mulher. Contudo, houve um consenso notável: a incidência de homens vítimas de violência doméstica tem crescido em nossa sociedade, mas a grande barreira reside no medo e no estigma que os silencia.

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Muitos destes homens desejam recorrer às instâncias judiciais, mas a vergonha inibe-os.

Em Angola, a figura masculina ainda é socialmente educada para não se assumir como vítima, o que torna o acto de denunciar um desafio quase difícil perante o julgamento do olhar alheio. O medo do ridículo e o receio de serem vistos como "fracos" ou "menos homens" mantém o ciclo de violência vivo dentro de muitas casas.

É urgente que comecemos a promover, de forma activa, a cultura da denúncia, independentemente de quem seja a vítima. O problema é real, as marcas são físicas e as sequelas psicológicas são profundas. A violência doméstica não escolhe rostos, género ou estatuto profissional, ela floresce precisamente onde o silêncio é cúmplice.

Precisamos de maturidade social para encarar o fenómeno sem preconceitos. É hora de pararmos de estigmatizar, ridicularizar ou desincentivar os homens que, com coragem, decidem quebrar o silêncio e procurar justiça. O mal é visível e só será combatido quando a dignidade humana for valorizada acima de qualquer convenção social ou pressão cultural.

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Leal Mundunde
Leal Mundunde

Leal Mundunde é jornalista e exerce actualmente as funções de Director-Geral e Editor do Portal Ponto de Situação. Integra o órgão desde 2024, tendo anteriormente desempenhado as funções de Chefe de Redacção. Ao longo do seu percurso profissional, passou por diversos órgãos de comunicação social.

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