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PONTO MUNDO Publicado em 23/10/2026 às 16:39 27 visualizações

PRESIDENTES QUE RENUNCIARAM AOS CARGOS EM MEIO A ESCÂNDALOS

A história regista vários Presidentes que foram forçados a renunciar aos mandatos em meio a escândalos políticos, denúncias de corrupção e crises governativas. Um dos episódios mais insólitos foi o de Alberto Fujimori, que apresentou a sua renúncia por fax.

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PRESIDENTES QUE RENUNCIARAM AOS CARGOS EM MEIO A ESCÂNDALOS
Imagem: Science History Institute

Richard Nixon (na imagem principal) renunciou para evitar o impeachment

Um dos casos mais conhecidos a nível mundial é o de Richard Nixon, antigo Presidente dos Estados Unidos, que renunciou ao cargo em 1974, na sequência do escândalo Watergate, que envolveu uma investigação jornalística e judicial.

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As investigações revelaram ligações entre membros da Administração Nixon e a operação de espionagem contra o Partido Democrata, bem como tentativas de obstrução à justiça para encobrir o caso.

A 24 de Julho de 1974, o Supremo Tribunal dos Estados Unidos ordenou a entrega de gravações secretas feitas na Sala Oval da Casa Branca, consideradas fundamentais para esclarecer o envolvimento do Presidente no escândalo.

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Perante o agravamento da crise política e a possibilidade de ser destituído através de um processo de impeachment, mecanismo constitucional que permite afastar do cargo determinadas autoridades por acusações graves, mediante um procedimento político-jurídico,  Richard Nixon anunciou a sua renúncia a 8 de Agosto de 1974, com efeitos a partir do dia seguinte.

Com esta decisão, tornou-se no primeiro Presidente dos Estados Unidos a renunciar ao cargo.

Para preencher o vazio deixado pela sua saída, o então vice-presidente, Gerald Ford, assumiu a Presidência.

A 8 de Setembro de 1974, Gerald Ford concedeu a Nixon um perdão presidencial pleno por eventuais crimes federais cometidos durante o seu mandato, evitando que este fosse criminalmente processado a nível federal por esses actos.

Fernando Collor de Mello renunciou durante o processo

Imagem:Poder360

No Brasil, um episódio semelhante ocorreu em 1992, envolvendo o então Presidente Fernando Collor de Mello, na sequência de denúncias de corrupção que abalaram o seu Governo e desencadearam manifestações populares a exigir a sua saída do poder.

A 29 de Setembro de 1992, a Câmara dos Deputados aprovou a abertura do processo de impeachment contra Fernando Collor de Mello. Posteriormente, a 2 de Outubro, o Presidente foi afastado temporariamente das funções, tendo o vice-presidente, Itamar Franco, assumido a chefia do Estado.

Pouco antes de o Senado Federal concluir o julgamento, a 29 de Dezembro de 1992, Fernando Collor apresentou a sua renúncia, numa tentativa de evitar a destituição formal.

Apesar desta decisão, o  processo prosseguiu. O Senado aprovou o impeachment e determinou a perda dos direitos políticos de Collor por oito anos, impedindo-o de exercer determinados cargos públicos durante esse período.

Dilma Rousseff foi destituída em 2016

Imagem:RFI

Outro caso de grande repercussão internacional ocorreu em 2016, quando a então Presidente brasileira Dilma Rousseff foi destituída através de um processo de impeachment relacionado com alegadas irregularidades na gestão das contas públicas.

A 12 de Maio de 2016, o Senado Federal aprovou a abertura do processo, por 55 votos a favor e 22 contra, determinando o afastamento temporário de Dilma Rousseff por um período que poderia atingir 180 dias.

A Presidente, não conseguiu reverter o desfecho do processo. A 31 de Agosto de 2016, o Senado aprovou a sua destituição, com 61 votos a favor e 20 contra.

Numa votação separada, os senadores decidiram preservar os seus direitos políticos, permitindo-lhe continuar elegível para o exercício de funções públicas, nos termos aplicáveis.

Com a destituição definitiva de Dilma Rousseff, o então vice-presidente, Michel Temer, que já exercia interinamente a Presidência, assumiu o cargo até ao final do mandato.

Fernando Lugo foi destituído em julgamento de dois dias

            Imagem:  Reuters 

No Paraguai, em 2012, Fernando Lugo tornou-se protagonista de um dos processos de destituição presidencial mais rápidos da história política recente da América Latina.

O antigo Presidente foi alvo de um processo de impeachment na sequência de um confronto violento ocorrido em Curuguaty, que resultou na morte de 17 pessoas, entre polícias e camponeses.

A 21 de Junho de 2012, a Câmara dos Deputados aprovou a abertura do processo contra Fernando Lugo. O julgamento decorreu no Senado e terminou no dia seguinte, 22 de Junho, com a destituição do Presidente.

O então vice-presidente, Federico Franco, assumiu a chefia do Estado.

A rapidez do processo suscitou fortes críticas dentro e fora do Paraguai. Vários governos e sectores da comunidade internacional consideraram que a destituição não respeitou as garantias necessárias a um julgamento justo, classificando o episódio como um “golpe parlamentar”.

 Alberto Fujimori renunciou por fax a partir do Japão

Imagem: Estadão

Um dos episódios mais invulgares ocorreu no Peru, em 2000, quando Alberto Fujimori, então Presidente do país, tentou abandonar o cargo por fax, a partir do Japão, no meio de uma grave crise política e de denúncias de corrupção envolvendo o seu chefe dos serviços de informações, Vladimiro Montesinos.

A crise agravou-se em Setembro de 2000, quando foi divulgado um vídeo em que Montesinos aparecia a entregar dinheiro a um deputado da oposição, numa tentativa de o subornar. O caso reforçou as suspeitas de compra de apoios políticos e de controlo dos meios de comunicação social.

Perante o crescimento das contestações e o agravamento da instabilidade governativa, Fujimori deixou o Peru e viajou para o Japão, país com o qual tinha ligações familiares devido à sua ascendência japonesa.

A 19 de Novembro de 2000, apresentou a renúncia à Presidência através de um fax enviado a partir do Japão. O Congresso peruano rejeitou a renúncia e, a 21 de Novembro, declarou-o destituído por “incapacidade moral permanente”.

A decisão marcou o fim do seu Governo e abriu caminho a uma nova fase de transição política no Peru.

Renúncia e destituição não são a mesma coisa

Estes casos demonstram que os escândalos políticos podem desencadear crises profundas e comprometer a permanência de um Presidente no poder. As consequências variam consoante as circunstâncias, a legislação de cada país e a forma como os respectivos órgãos constitucionais actuam.

Enquanto Richard Nixon e Fernando Collor de Mello renunciaram durante crises que envolviam processos de impeachment, Alberto Fujimori tentou renunciar, mas acabou destituído pelo Congresso peruano. Já Dilma Rousseff e Fernando Lugo perderam directamente os cargos através de processos de destituição.

Mais do que episódios de queda política, estes acontecimentos recordam que o exercício do poder presidencial está sujeito a mecanismos de controlo e responsabilização.

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Leal Mundunde
Leal Mundunde

Leal Mundunde é jornalista e exerce actualmente as funções de Director-Geral e Editor do Portal Ponto de Situação. Integra o órgão desde 2024, tendo anteriormente desempenhado as funções de Chefe de Redacção. Ao longo do seu percurso profissional, passou por diversos órgãos de comunicação social.

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