No domínio comercial, os chefes de Estado e de Governo deverão defender a continuidade do diálogo com Pequim, sem deixar de reforçar os mecanismos de protecção da indústria europeia. O défice comercial da União Europeia com a China atingiu 360 mil milhões de euros em 2025 e já se situava nos 200 mil milhões de euros no primeiro semestre de 2026.
Perante este cenário, França e Alemanha aproximaram posições para reduzir o desequilíbrio, numa mudança significativa da estratégia de Berlim, anteriormente crítica à imposição de tarifas sobre veículos eléctricos chineses.
A competitividade industrial europeia estará igualmente ligada ao custo da energia, considerado um dos principais desafios económicos do bloco. Os líderes deverão analisar medidas propostas pela Comissão Europeia para aliviar a pressão sobre as empresas, incluindo o adiamento, por um ano, das obrigações de declaração relativas às emissões de metano.
Entretanto, o próximo orçamento plurianual concentra uma das disputas mais complexas da cimeira. A proposta da Comissão Europeia, avaliada em cerca de dois biliões de euros, prevê financiamento para sectores como agricultura, coesão regional, defesa, inteligência artificial, competitividade, imigração e apoio à Ucrânia. A aprovação exige consenso entre os 27 Estados-membros, que procuram alcançar um entendimento antes do final de 2026.
As negociações estão divididas entre os países que defendem um orçamento mais robusto, com maior financiamento para a agricultura e a coesão social e territorial, e os chamados países «frugais», liderados pela Alemanha, que pressionam por cortes para reduzir os encargos financeiros dos governos nacionais.
A proposta irlandesa de reduzir em 140 mil milhões de euros o montante inicialmente apresentado pela Comissão não conseguiu reunir apoio suficiente.
A discussão ganhou dimensão política devido às eleições previstas para 2027 em vários países, entre os quais França, Itália, Polónia, Grécia e Finlândia. Em França, Marine Le Pen, líder do Reunião Nacional, contesta a aprovação antecipada do orçamento e defende que a decisão seja adiada para depois das eleições presidenciais. Paris, por sua vez, propõe novas fontes de receita para financiar as prioridades europeias, incluindo possíveis impostos sobre serviços digitais, criptoactivos e jogos de azar.
Na sexta-feira, 16, os dirigentes deverão abordar a guerra na Ucrânia, com a participação do Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e a política migratória, outro tema que continua a dividir os Estados-membros quanto à gestão das fronteiras externas e à partilha de responsabilidades.



































