A Sonangol, o Banco Angolano de Investimentos (BAI), o Banco de Fomento Angola (BFA), a Unitel e o Standard Bank de Angola destacaram-se entre as empresas com maiores lucros em Angola, em 2025, de acordo com os relatórios e contas e estudos sectoriais divulgados este ano.
A petrolífera estatal registou um resultado líquido de 862,4 mil milhões de kwanzas, equivalente a cerca de 940 milhões de dólares. Deste montante, 459,4 mil milhões de kwanzas tiveram origem em participações noutras empresas, com destaque para a Angola LNG, que contribuiu com aproximadamente 314 mil milhões de kwanzas, além do Millennium BCP e da Galp.
O sector bancário registou um crescimento de 23% nos lucros agregados dos 21 bancos analisados pela Deloitte, atingindo cerca de um bilião de kwanzas pela primeira vez. Os cinco maiores bancos concentraram 78% dos resultados do sector.
O BAI recuperou a liderança, anteriormente ocupada pelo BFA durante dois anos consecutivos, ao alcançar um lucro de 295,7 mil milhões de kwanzas, o maior resultado da história da banca angolana. A instituição propôs a distribuição de dividendos no valor de 147,8 mil milhões de kwanzas.
Por sua vez, o BFA registou lucros de 230,6 mil milhões de kwanzas. Em conjunto, as duas instituições alcançaram 532,4 mil milhões de kwanzas, representando um crescimento de 49% face ao ano anterior.
O Standard Bank de Angola ocupou a terceira posição, com 149,5 mil milhões de kwanzas em lucros, seguido pelo Banco Keve e pelo BCI. Em sentido contrário, o Banco Sol registou prejuízos de 5,4 mil milhões de kwanzas, num contexto marcado pelo processo de recapitalização.
Apesar dos resultados positivos, o financiamento bancário à economia continua limitado. O crédito concedido representa apenas 7,8% do Produto Interno Bruto (PIB) angolano, abaixo dos níveis registados em Portugal e na África do Sul. Os ganhos cambiais, que totalizaram 429 mil milhões de kwanzas, também tiveram um peso significativo nos resultados da banca.
A Unitel registou lucros de 158,4 mil milhões de kwanzas em 2025, um aumento de 59% em relação ao ano anterior. O crescimento foi impulsionado, sobretudo, pelos ganhos associados à venda de 15% do capital do BFA, do qual é accionista, e pelos dividendos recebidos da instituição bancária.
As receitas operacionais da operadora de telecomunicações aumentaram 31%, atingindo 505,3 mil milhões de kwanzas. A empresa indicou ainda possuir cerca de 20,8 milhões de clientes.
No sector empresarial público, as 78 empresas que apresentaram contas ao Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE) registaram, em conjunto, lucros de 949 mil milhões de kwanzas. Contudo, excluindo a Sonangol e a Unitel, o conjunto das empresas apresentaria um prejuízo de 72 mil milhões de kwanzas, evidenciando a concentração dos resultados em poucas entidades. Onze empresas públicas tiveram as contas rejeitadas pelos auditores.
Entretanto, a seguradora ENSA aumentou os prémios em 25%, para 154,8 mil milhões de kwanzas, mas viu os lucros recuarem 21%, para 6,4 mil milhões de kwanzas, devido à pressão dos sinistros nos ramos da saúde e petroquímico.



































