O espaço Depois de Sete Dias voltou a abordar o cenário político brasileiro, desta vez com foco na vitória e reeleição do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nos impactos para o Brasil e nas perspectivas da política externa do país. O tema foi analisado pelo comentador residente Hamilton João.
Questionado sobre os principais benefícios que a continuidade de Lula poderá trazer à política externa brasileira, o analista considerou que o eleitorado optou pela continuidade em detrimento da mudança.
Na sua perspectiva, o Presidente deverá manter a defesa de um sistema internacional multipolar, com maior equilíbrio de poder e mais espaço para os países em vias de desenvolvimento nas instituições internacionais.
Hamilton João acredita igualmente que Lula continuará a defender a reforma das instituições financeiras internacionais, nomeadamente o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI), por considerar que os mecanismos de financiamento dos projectos nos países em desenvolvimento apresentam desequilíbrios quando comparados com os benefícios concedidos às economias desenvolvidas.
No capítulo das relações com os Estados Unidos da América e a União Europeia, o comentador apontou possíveis desafios decorrentes das diferenças políticas e ideológicas entre Lula e o Presidente norte-americano, Donald Trump.
Segundo Hamilton João, a divergência de posições e interesses, associada ao apoio de Trump à família Bolsonaro, poderá dificultar uma aproximação entre Washington e Brasília enquanto ambos permanecerem no poder.
Em relação a Angola, o analista perspectiva a continuidade e o reforço das relações bilaterais, sustentadas pelos laços históricos de amizade e pela cooperação económica entre os dois países. Hamilton João destacou os investimentos brasileiros em Angola, sobretudo nos sectores do agronegócio e da construção, como áreas relevantes para o aprofundamento da parceria estratégica.
O comentador recordou ainda que o Brasil foi o primeiro país a reconhecer a independência de Angola, em 1975, considerando que esse legado histórico constitui uma base importante para a manutenção das relações diplomáticas e económicas.
Na sua avaliação, uma eventual mudança de orientação política em Brasília, como poderia ocorrer sob uma Presidência de Flávio Bolsonaro, teria implicações diferentes para a cooperação com África, tendo em conta o distanciamento registado durante o mandato do seu pai, Jair Bolsonaro.
O analista, concluiu que a permanência de Lula na Presidência poderá favorecer a continuidade da aproximação do Brasil a Angola e ao continente africano, mantendo a cooperação económica e a valorização dos laços históricos entre as nações.



































