POSIÇÃO DA POLÍCIA NACIONAL GERA CONTESTAÇÃO ENTRE MILITANTES E POPULARES

O comunicado da Polícia Nacional, divulgado na sequência dos acontecimentos registados no dia 8 de Agosto, continua a gerar reacções entre populares e militantes da UNITA, que contestam a actuação da corporação e questionam a sua postura perante a actividade política do Galo Negro.

Imagem: DR Ponto de Situação

Segundo a nota de imprensa da Polícia Nacional, os factos ocorreram após a autoridade administrativa ter orientado a alteração do local onde o Partido Político UNITA pretendia realizar o seu acto político de massas.

‘‘Os organizadores não acataram a orientação e concentraram-se nas proximidades do Tribunal da Relação do Uíge, com pretenção de realizar o acto político de massas em um local proibido por lei’’, diz a nota.

Diz ainda que, diante do incumprimento, a Polícia Nacional procedeu à dispersão dos manifestantes, utilizando força modeladora e meios não letais.

Não se registaram danos humanos graves, refere a nota da Polícia, dizendo que houve apenasferimentos ligeiros por escoriação em um cidadão manifestante e em três efectivos da Polícia Nacional, em consequência de erremessos contundentes.

Depois de a Polícia Nacional ter tornado pública esta nota onde esclarece a sua intervenção durante os acontecimentos, populares e militantes do maior partido da oposição manifestaram diante do microfone do Ponto de Situação, descontentamento ante a posição assumida pela corporação.

Entre as reacções está a de Anastácio Guimarães, militante da UNITA no Benfica, que considera que a Polícia Nacional deve manter uma postura republicana e independente perante as disputas políticas.

“O povo angolano já sabe a verdade. As localidades já despertaram do sono de há mais de quarenta anos. Os meninos de ontem são adultos hoje e sabemos a verdadeira história”, afirmou.

Para Paulo de Sousa Luís, estudante de Direito, a imparcialidade das instituições públicas é fundamental para a construção de um Estado capaz de promover o desenvolvimento económico e social.

“Um país cujo Governo é parcial nunca conhecerá o desenvolvimento económico, muito menos o desenvolvimento humano”, defendeu.

Outra cidadã, que pediu para ser identificada apenas como Rita, também manifestou desagrado perante o comunicado da corporação, questionando a necessidade de tornar pública a posição assumida.

“Por que é que a Polícia não ficou sem dar o comunicado? Está a mostrar que não se preocupa com a população”, afirmou.

As reacções colocam novamente no centro do debate a relação entre as forças de segurança, os partidos políticos e os cidadãos, sobretudo em momentos de tensão social e política.

No comunicado divulgado pela Polícia Nacional, a corporação sustenta que a sua intervenção teve como objectivo preservar a ordem e a tranquilidade públicas, garantindo igualmente o exercício dos direitos e liberdades fundamentais dentro dos limites estabelecidos pela lei.

A controvérsia permanece, assim, entre duas leituras distintas: de um lado, a Polícia Nacional defende a legalidade da sua actuação; do outro, sectores da sociedade questionam a imparcialidade da corporação e apelam ao reforço do seu carácter republicano, independente e orientado para a defesa de todos os cidadãos.

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