O MUNDIAL NÃO É APENAS FUTEBOL

Entre paixões, expectativas, surpresas, lágrimas, desilusões e momentos de entusiasmo, a bola continua a rolar nos Estados Unidos da América, Canadá e México, levando milhões de pessoas a viverem intensamente o maior espectáculo desportivo do planeta.

Imagem gerada por IA

O Mundial de Futebol voltou a provar que é muito mais do que uma competição. É um fenómeno social, cultural e económico que une povos, aproxima culturas e faz esquecer, durante noventa minutos, as diferenças políticas, religiosas, económicas e linguísticas.

É difícil encontrar um lugar onde o assunto não domine as conversas. Nas residências, nas ruas, nas paragens de táxi, nos transportes públicos e privados, nos locais de trabalho, nos mercados, nos cafés e até nas igrejas, fala-se de futebol: discutem-se tácticas, analisam-se arbitragens, elogiam-se jogadores, criticam-se treinadores e fazem-se previsões sobre quem levantará o tão cobiçado troféu. Poucos acontecimentos conseguem mobilizar a humanidade com tamanha intensidade.

De quatro em quatro anos, o Mundial transforma-se na maior montra da modalidade rainha; é o palco onde brilham as maiores estrelas dos cinco continentes, onde nascem novos ídolos e onde se escrevem páginas inesquecíveis da história do futebol.

Temos acompanhado partidas memoráveis. Há quem reorganize completamente a rotina para não perder um único jogo. Muitos permanecem acordados até altas horas da madrugada, movidos apenas pela paixão pelo futebol. Esse comportamento demonstra que esta modalidade deixou, há muito, de ser apenas um desporto para se tornar numa verdadeira expressão cultural global.

Como acontece em todas as grandes competições, há espaço para a alegria e para a tristeza. Sofremos quando as selecções que apoiamos são derrotadas, lamentamos as exibições menos conseguidas das grandes estrelas e surpreendemo-nos com equipas e jogadores que poucos apontavam como protagonistas.

É precisamente essa imprevisibilidade que faz do futebol um espectáculo apaixonante. Cada Mundial recorda-nos que, dentro das quatro linhas, o favoritismo nem sempre vence o talento, a organização, a disciplina e a vontade de superar limites.

Mas o Mundial não se resume aos golos. É também uma extraordinária demonstração de organização, planeamento, segurança, tecnologia e capacidade logística. Observamos a forma como os países organizam um evento desta dimensão, a preparação das selecções, a inteligência táctica dos treinadores, a disciplina dos atletas, a paixão dos adeptos e a riqueza cultural que cada povo leva para os estádios. Cada jogo acaba por ser também uma celebração da diversidade humana.

Imagem: Fato Paulista

Permitam-me, porém, puxar a brasa à minha sardinha: Comunicação Social.

Os profissionais da comunicação social têm desempenhado um papel extraordinário. São eles que aproximam o Mundial de milhões de pessoas que não podem estar nos estádios. São eles que contam histórias, captam emoções, contextualizam acontecimentos e eternizam momentos que ficarão gravados na memória colectiva.

Muitas vezes emociono-me ao acompanhar o trabalho de colegas espalhados pelos diversos palcos da competição. A qualidade das reportagens, das fotografias, das transmissões em directo, das entrevistas e das análises merece reconhecimento. O jornalismo também joga este Mundial e, em muitos momentos, joga muito bem.

Outro aspecto que merece profunda reflexão é o impacto económico desta competição.

As maiores empresas do mundo investem milhares de milhões para associarem as suas marcas ao Mundial. Não o fazem por acaso. Sabem que o retorno em visibilidade, credibilidade e receitas é gigantesco. O futebol movimenta a publicidade, o turismo, a hotelaria, gastronomia, os transportes, o comércio, a tecnologia, as telecomunicações e inúmeras outras áreas da economia.

Por isso, reduzir o Mundial aos resultados dentro do relvado seria um erro.

Esta competição é também uma verdadeira universidade de organização, gestão, inovação, liderança e cooperação internacional. Cada edição deixa lições que podem ser adaptadas por outros países, sobretudo aqueles que procuram desenvolver o desporto como instrumento de crescimento económico e de afirmação internacional.

Imagem: Euronews

Enquanto angolano, não escondo a tristeza por não ver a nossa selecção presente nesta grande festa do futebol. Ainda assim, a bandeira nacional faz-se representar pelos milhares de angolanos que acompanham os jogos em diferentes partes do mundo e pelo árbitro assistente internacional Jerson Emiliano, cuja presença honra o futebol angolano.

Oxalá que, num futuro próximo, Angola deixe de assistir apenas aos grandes palcos internacionais pela televisão e passe a fazer parte deles como protagonista. Esse sonho não depende apenas do talento dos nossos jogadores, exige visão, organização, investimento nas infra-estruturas, formação de treinadores, desenvolvimento do futebol de base e uma gestão cada vez mais profissional das instituições desportivas.

O Mundial ensina-nos que o sucesso não nasce do improviso, constrói-se com planeamento, competência e persistência.

Que o espírito de união proporcionado por esta competição continue a inspirar o mundo. Que saibamos copiar os bons exemplos e adaptá-los à nossa realidade, porque o futebol, quando bem organizado, transforma sociedades, cria oportunidades, inspira gerações e fortalece o sentimento de pertença de um povo.

Em suma, entre a queda de algumas estrelas e o nascimento de novos heróis, o Mundial continua a escrever mais um capítulo da sua história e,  permanece a pergunta que alimenta milhões de adeptos em todos os continentes:

Quem erguerá o troféu no próximo dia 19 de Julho?

A resposta será dada dentro das quatro linhas, onde o futebol continua a demonstrar por que razão é, e continuará a ser, a maior festa do planeta.

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