JULGAMENTO PELA MORTE DE TUPAC SHAKUR COMEÇA 30 ANOS APÓS O HOMICÍDIO

O julgamento de Duane “Keffe D.” Davis, acusado de ter orquestrado o homicídio do rapper norte-americano Tupac Shakur, começou esta segunda-feira, 10 de Agosto, em Las Vegas, três décadas depois do crime que chocou o mundo da música.

Imagem: O GLOBO

O antigo líder dos South Side Compton Crips, de 63 anos, arrisca prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional.

Tupac Shakur foi baleado na noite de 7 de Setembro de 1996, em Las Vegas, quando seguia num automóvel após assistir a um combate de boxe de Mike Tyson. O rapper morreu seis dias depois, aos 25 anos.

A acusação sustenta que Duane Davis organizou a vingança contra Tupac depois de uma agressão envolvendo o rapper, Suge Knight e Orlando “Baby Lane” Anderson, sobrinho de Davis, na noite do combate. Segundo os procuradores, Davis terá fornecido a arma utilizada no homicídio, embora o julgamento não deva esclarecer quem efectuou os disparos.

O caso permaneceu sem solução durante décadas, até que declarações de Davis, incluindo informações publicadas nas suas memórias em 2019, contribuíram para a reabertura da investigação. No livro, o acusado afirmou que estava no banco da frente do Cadillac de onde partiram os disparos e que entregou uma arma aos ocupantes do banco traseiro.

Detido em Setembro de 2023, Davis declarou-se inocente e rejeita actualmente as declarações que lhe são atribuídas. Em entrevista à ABC News, em 2025, afirmou que não matou Tupac e que a acusação não dispõe de provas suficientes contra si.

O julgamento deverá prolongar-se por cerca de quatro semanas, sendo a primeira fase dedicada à selecção dos jurados. O processo poderá voltar a colocar em debate a histórica rivalidade entre as cenas de rap da Costa Oeste e da Costa Leste dos Estados Unidos, marcada também pela morte de Christopher “The Notorious B.I.G.” Wallace, seis meses depois do assassinato de Tupac.

Independentemente do veredicto, familiares do rapper defendem que outras pessoas envolvidas no crime continuam por responsabilizar.