NOVO PROJECTO POLÍTICO É APONTADO COMO POSSÍVEL DESAFIO AO MPLA EM 2027

Um novo projecto de partido político, ainda em fase de estruturação, começa a ganhar espaço no debate político angolano com a perspectiva de disputar as eleições gerais de 2027.

Imagem: Maka Angola

A iniciativa, que poderá adoptar a designação de Partido de Inclusão Nacional de Angola (PIN), tem como principal rosto o jovem empreendedor Morato de Oliveira Custódio e é associada, segundo informações divulgadas pelo Jornal Club K, a antigos generais ligados ao período de governação de José Eduardo dos Santos.

A iniciativa surge num momento de preparação do cenário político para as eleições gerais de 2027 e pretende apresentar-se como uma alternativa às principais forças políticas do país, nomeadamente o MPLA e a UNITA.

Segundo o Club K, o projecto encontra-se ainda numa fase embrionária, estando a sua estruturação inicialmente sob liderança de Morato de Oliveira Custódio. A mesma publicação aponta para a possibilidade de, numa fase posterior, o projecto vir a contar com o apoio ou participação de antigos generais com influência política e económica associada ao anterior ciclo de governação.

Morato Custódio tem vindo a promover publicamente a iniciativa através das redes sociais, defendendo uma agenda assente na inclusão social, inovação tecnológica e desenvolvimento económico. A mobilização tem sido feita através da plataforma “PIN 2027”, apresentada como espaço de adesão e organização de cidadãos interessados no novo projecto político.

O empreendedor, com percurso ligado às áreas de tecnologia, inovação e inclusão financeira, também possui experiência no sector desportivo. Até 2025, exerceu funções de presidente do Luanda City Futebol Club, cargo que deixou por demissão.

A eventual ligação do projecto a figuras do anterior ciclo político é, entretanto, um dos aspectos que mais tem despertado atenção. Como refere o jornal, alegadas ligações directas ou indirectas entre Morato Custódio e o general Leopoldo do Nascimento, conhecido por “Dino”, através da empresa LISA Pulsaris Electrónica, S.A.

A publicação sustenta esta associação com base na participação societária de Aristides Cardoso Frederico Safeca, apresentado como antigo colaborador do general em matérias relacionadas com a UNITEL. Estas ligações, contudo, são alegações divulgadas pela publicação e não constituem, por si só, confirmação de que antigos generais estejam formalmente envolvidos na criação ou direcção do eventual partido.

A designação Partido de Inclusão Nacional de Angola — PIN também ainda não representa, pelo que consta das informações apresentadas, uma formação política oficialmente reconhecida. Não há confirmação, no material divulgado, de que o projecto tenha obtido legalização junto do Tribunal Constitucional.

Apesar disso, a movimentação pública em torno da iniciativa já começou a gerar expectativas sobre o seu eventual papel nas eleições gerais de 2027. Através das redes sociais, Morato Custódio tem apelado à adesão de cidadãos à plataforma PIN 2027, procurando transformar o projecto numa estrutura de mobilização política nacional.

A eventual entrada de novas forças no cenário eleitoral poderá aumentar a disputa por espaço político, sobretudo num período em que os partidos procuram consolidar bases de apoio e preparar as estruturas para o próximo ciclo eleitoral.

Por enquanto, permanece por esclarecer quem integrará formalmente a estrutura do PIN, qual será a sua orientação política definitiva e se o projecto reunirá os requisitos legais necessários para participar nas eleições de 2027.