“PAGAMOS SEGURANÇA, MAS ESTAMOS EXPOSTOS”: VANDALIZAÇÃO DE VIATURAS GERA REVOLTA NO CONDOMÍNIO PELICANO

Uma onda de furtos de placas de viaturas no Condomínio Pelicano, no município da Camama, em Luanda, está a alarmar moradores e a expor fragilidades na segurança do complexo. Em apenas três meses, mais de 20 viaturas foram vandalizadas, levando os residentes a exigir uma resposta urgente das autoridades e da administração local.

Imagem: DR/Ponto de Situação

O que deveria ser um espaço de segurança e tranquilidade transformou-se, para muitos moradores do Condomínio Pelicano, num ambiente de incerteza e frustração. Com mais de 300 moradias, o complexo enfrenta uma escalada de criminalidade que, segundo os residentes, tem sido ignorada ou minimizada pela administração.

Os furtos de placas de viaturas, prática frequentemente associada a esquemas ilícitos e circulação irregular de veículos, tornaram-se recorrentes. Em apenas três meses, cerca de 25 viaturas foram alvo de vandalização, num padrão que revela organização e ousadia por parte dos criminosos.

Para Josefa Pessoa, de 57 anos, residente há mais de uma década, relata com indignação o episódio que viveu recentemente.

“Eu pago todas as obrigações do condomínio, 22 mil e 900 kwanzas, desde a segurança a outros serviços. Na última semana de    Março, a minha viatura foi vandalizada e levaram a placa. Senti-me desprotegida dentro do próprio condomínio”, contou.

A moradora afirma ter comunicado imediatamente o caso à administração, esperando uma resposta à altura da situação.

Segundo a entrevistada, o administrador esteve no local, observou o que aconteceu, tendo rejeitado assumir os danos por serem elevados.

“Para que servem então os valores que pagamos todos os meses?” questionou, insatisfeita, na esperança de ver o quadro alterado.

A crítica à administração é partilhada por vários residentes, que acusam o responsável, de não apresentar soluções concretas nem reforçar os mecanismos de segurança interna. Para muitos, o problema já ultrapassou o nível de incidentes isolados e passou a configurar uma falha estrutural na gestão do condomínio.

Viaturas pertencentes a entidades ligadas ao Estado não foram  poupadas

Outro elemento que agrava a preocupação é o facto de nem mesmo viaturas pertencentes a entidades ligadas ao Estado terem sido poupadas. Segundo os moradores, veículos associados ao Secretariado de Estado para a Justiça e a um alto responsável dos Recursos Humanos da Presidência da República também foram vandalizados, o que reforça a percepção de impunidade dos criminosos.

“Se até viaturas ligadas ao Estado são vandalizadas aqui dentro, então ninguém está seguro. Isto já não é um caso isolado, é um problema sério de segurança”, desabafou um morador que preferiu não ser identificado.

Pelo que apuramos, os  moradores vivem entre o medo e a indignação, exigindo medidas urgentes, como o reforço da segurança privada, instalação de sistemas de videovigilância mais eficazes e maior presença policial na zona.

“Não estamos a pedir luxo, estamos a pedir segurança básica. Pagamos por isso. Queremos soluções, não justificações”, reforçou Josefa Pessoa.

Apesar das tentativas de contacto telefónico efectuadas nesta segunda-feira, não foi possível ouvir o responsável pela gestão do condomínio.