DE BICESSE À PAZ: LIVRO DE DURÃO BARROSO RESGATA UM DOS MOMENTOS MAIS DECISIVOS DA HISTÓRIA DE ANGOLA

Um novo olhar sobre os Acordos de Bicesse, um dos marcos mais importantes do percurso político e militar de Angola, chega ao público angolano esta terça-feira, 26, em Luanda, com o lançamento de uma obra literária co-assinada pelo antigo Primeiro-Ministro de Portugal, José Manuel Durão Barroso.

Imagem: CIPRA

A obra, dedicada aos Acordos de Bicesse assinados a 31 de Maio de 1991, procura revisitar os bastidores das negociações que envolveram o Governo angolano e a UNITA, num período marcado por profundas divisões políticas e militares, mas igualmente por esforços diplomáticos que procuravam pôr fim a anos de conflito armado.

Um exemplar do livro foi entregue ao Presidente da República, João Lourenço, durante uma audiência concedida esta segunda-feira, 25 de Maio, no Palácio Presidencial, em Luanda. O encontro serviu igualmente para abordar questões ligadas ao actual contexto internacional, aos desafios económicos enfrentados por Angola e às transformações no sector energético mundial.

A publicação reúne testemunhos, análises e reflexões de figuras directamente ligadas ao processo negocial que decorreu em Bicesse, Portugal, incluindo representantes angolanos e portugueses que acompanharam de perto uma das etapas mais sensíveis da construção da paz em Angola.

Com prefácios assinados pelo ministro das Relações Exteriores de Angola, Téte António, e pelo ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Paulo Rangel, a obra procura preservar a memória histórica de um período que redefiniu o futuro político do país.

Em declarações à imprensa, Durão Barroso destacou que os entendimentos alcançados em Bicesse foram decisivos para garantir a unidade do Estado angolano, numa altura em que existiam cenários que apontavam para riscos de fragmentação territorial.

“O que foi negociado em Bicesse foi a unidade do Estado angolano, em primeiro lugar”, afirmou o antigo governante português, defendendo que os acordos abriram igualmente caminho para eleições consideradas livres e justas pelas Nações Unidas.

Durão Barroso realçou ainda que o processo permitiu avanços estruturantes, como a unificação das Forças Armadas Angolanas e o fortalecimento das instituições do Estado, mesmo perante o regresso posterior do conflito armado.

Mais do que um simples registo histórico, a obra surge como um instrumento de reflexão sobre o valor do diálogo político, da reconciliação nacional e da construção da paz, num momento em que Angola continua a enfrentar desafios económicos e sociais, mas mantém viva a memória de um passado que marcou profundamente o seu percurso enquanto Nação.

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