TELEMÓVEL AO VOLANTE: UMA IMPRUDÊNCIA QUE MATA EM SILÊNCIO
Em Angola, conduzir com o telemóvel ao ouvido continua a ser uma prática que, silenciosamente, tem colocado vidas em risco nas estradas do país.
Não estamos diante de um simples hábito. Estamos perante um acto de irresponsabilidade.
O condutor que decide atender uma chamada enquanto conduz não compromete apenas a sua segurança, mas a de todos os passageiros e demais utentes da via. A atenção fragmenta-se, os reflexos diminuem e o risco aumenta. É uma equação simples, mas ignorada diariamente.
A lei é clara: o uso do telemóvel ao volante é proibido, salvo em sistemas que não exijam manuseamento directo e que não prejudiquem a condução. Ainda assim, o que se vê nas estradas é o contrário: motoristas com o telemóvel colado ao ouvido, a escrever mensagens ou a navegar em aplicações, como se a estrada fosse um espaço secundário.
Há, neste comportamento, um traço preocupante: a arrogância. Muitos condutores não só ignoram os avisos, como reagem com hostilidade quando são alertados. É a cultura do “eu faço porque posso”, mesmo quando esse “poder” coloca outros em perigo.
Mais grave ainda é a normalização colectiva. Passageiros que se calam, autoridades que nem sempre fiscalizam com rigor e uma sociedade que, pouco a pouco, aceita o inaceitável.
Mas é preciso dizer, sem rodeios: não há chamada urgente que justifique colocar vidas em risco. Nenhuma mensagem vale mais do que um regresso seguro a casa.
Num país onde os acidentes rodoviários continuam a ceifar vidas e a deixar marcas profundas nas famílias, insistir nesta prática é contribuir, directa ou indirectamente, para esse cenário.
A mudança não depende apenas da lei. Depende da consciência individual. Depende de cada condutor perceber que segurar um volante exige mais do que habilidade, exige responsabilidade.
Conduzir é um acto colectivo e na estrada, a imprudência de um só pode ser a tragédia de muitos





































