ÁFRICA ENTRE O ONTEM E O HOJE: DESAFIOS, CULTURA E ESPERANÇA NUM CONTINENTE EM TRANSFORMAÇÃO

O Dia de África continua a ser celebrado por milhões de africanos como um símbolo de união, reflexão e compromisso com o desenvolvimento do continente.

Imagem: DR Ponto de Situação

Mais do que uma simples festa, o Dia de África representa uma oportunidade para olhar para o passado, compreender o presente e projectar um futuro melhor para todos os povos africanos.

Apesar dos avanços alcançados ao longo dos anos, muitos cidadãos acreditam que ainda existem desafios importantes por superar.

Em Angola, cidadãos ouvidos pela nossa reportagem defendem a preservação da cultura africana, o resgate dos valores tradicionais e a necessidade de melhorias em áreas essenciais como água, energia e combate à fome.

O estudante António da Gama considera que a África actual enfrenta uma forte perda de identidade cultural devido à influência do Ocidente. Segundo ele, os costumes e valores africanos estão gradualmente a desaparecer, sobretudo entre os jovens.

“Hoje em dia vemos muitos jovens a exporem os seus corpos nas redes sociais. Antigamente não era assim. Estamos a perder a nossa essência e a nossa cultura”, lamentou.

António da Gama acrescentou ainda que muitos jovens já não valorizam os conselhos dos mais velhos, alegando que os tempos mudaram. No entanto, acredita que ainda é possível recuperar muitos valores africanos através de campanhas de sensibilização e da valorização daquilo que identifica o povo africano.

“As nossas irmãs já não aceitam usar roupas africanas e muitos jovens já não dominam as línguas nacionais. Precisamos resgatar aquilo que é nosso”, reforçou.

Imagem: DR Ponto de Situação

Por sua vez, a maquiadora Gilda Tomas fez uma análise positiva, mas reconheceu que a África de antigamente preservava melhor a cultura. Para ela, as tranças tradicionais, os trajes típicos e os hábitos culturais tinham maior valorização no passado.

“A África de antes valorizava mais a nossa identidade cultural. Hoje há muita influência estrangeira e já não existe a mesma preservação”, afirmou.

Já a comerciante Augusta Chipuco destacou os progressos alcançados pelo continente, especialmente em Angola, com a conquista da paz e o crescimento em vários sectores sociais.

“Muita coisa melhorou em Angola e não devemos ser ingratos. A paz trouxe desenvolvimento e esperança para muitas famílias”, disse.

Apesar disso, Augusta Chipuco reconhece que ainda persistem inúmeras dificuldades que afectam a vida das populações, como a fome, a falta de água potável e os problemas de fornecimento de energia eléctrica em várias regiões.

“Existem zonas que ainda não têm energia e muitas comunidades continuam a enfrentar dificuldades básicas. Precisamos continuar a trabalhar para termos um continente melhor”, concluiu.

Entre desafios e conquistas, o continente africano continua a caminhar rumo ao desenvolvimento. A preservação da cultura, o respeito pelos valores tradicionais e a aposta nas condições sociais básicas são apontados como pilares fundamentais para a construção de uma África mais forte, unida e preparada para o futuro.