GOVERNO ANUNCIA CONSTRUÇÃO DE HABITAÇÕES SOCIAIS PARA VÍTIMAS DAS CHEIAS NO RIO CAVACO EM BENGUELA

O Governo anunciou a construção de habitações sociais destinadas às famílias mais afectadas pelas enchentes do rio Cavaco, na província de Benguela, no quadro de um pacote de medidas estruturais e emergenciais de resposta às inundações que provocaram mortes, destruição de residências e milhares de desalojados.

Imagem: Governo Provincial de Benguela

A decisão foi avançada pelo ministro das Obras Públicas, Urbanismo e Habitação, Carlos dos Santos, esta quarta-feira, 15 de Abril, no final da reunião da Comissão Nacional de Protecção Civil, orientada pelo Presidente da República, João Lourenço. O anúncio surge após a visita presidencial às zonas de acolhimento das populações afectadas pelas recentes inundações.

Segundo o ministro, o processo de levantamento ainda está em curso, não existindo números finais sobre o total de habitações a serem construídas. No entanto, já está identificado que várias famílias perderam totalmente as suas residências, enquanto outras habitavam em zonas de risco, particularmente em linhas de água, o que inviabiliza o regresso aos locais de origem.

“Estamos a fazer um estudo, ainda não temos números. O trabalho contínuo com o Governo da província vai definir quantas casas irão ser feitas”, afirmou Carlos dos Santos, sublinhando a coordenação entre as autoridades centrais e provinciais na definição da resposta habitacional.

Para além da componente social, o plano governamental inclui intervenções estruturais de grande escala ao longo do rio Cavaco, com destaque para a reabilitação de cerca de 22 quilómetros de diques e a construção de mais 10,5 quilómetros de novas infra-estruturas de protecção nas duas margens, numa tentativa de reduzir o risco de novas catástrofes.

As acções emergenciais já em curso centram-se na reposição da funcionalidade do dique, que sofreu uma ruptura de cerca de 300 metros contínuos, além de danos adicionais estimados em aproximadamente 1,5 quilómetros. Em paralelo, decorrem trabalhos de desassoreamento na zona central do rio, considerados essenciais para melhorar a capacidade de escoamento das águas.

De acordo com o ministro, caso não se registem chuvas intensas, a expectativa é de que os trabalhos emergenciais permitam restabelecer a protecção do dique no prazo de uma semana, embora os projectos estruturais exijam um horizonte mais alargado de execução.