ACUSAÇÕES DE BURLA GERAM POLÉMICA ENTRE CLIENTES E EMPREENDEDORA

Vários clientes denunciam alegados prejuízos financeiros decorrentes de encomendas feitas através das redes sociais a uma empreendedora que trabalha com importação de produtos da China.

A promessa de produtos modernos, preços atractivos e a facilidade de efectuar compras à distância têm levado muitos angolanos a confiar em empreendedores digitais. No entanto, para alguns consumidores, o sonho de receber mercadorias importadas acabou por transformar-se numa longa espera marcada por incertezas e reclamações.

Neste caso, os denunciantes afirmam que aguardam há meses, e nalguns casos, há mais de um ano, pela entrega dos artigos ou pelo reembolso dos valores. A acusada, rejeitou as acusações de burla e garantiu que está a pagar os valores dos clientes de forma faseada.

A nossa equipa de redacção ouviu Emílio Neto, um dos lesados, que disse ter conhecido os serviços através das redes sociais da empreendedora, conhecida comercialmente como Helenice Vendas.

Segundo o denunciante, a responsável promovia regularmente campanhas de importação de diversos produtos provenientes da China, reunindo interessados em grupos de WhatsApp para acompanhar o processo das encomendas.

"Participei na compra de uma caixa de garrafas térmicas. Fiz o pagamento e fui adicionado a um grupo onde estavam outros clientes. Disseram-nos que a mercadoria chegaria em cerca de 90 dias", contou.

De acordo com Emílio Neto, o prazo inicialmente estabelecido não foi cumprido. Posteriormente, os clientes teriam sido informados de que os custos de importação aumentaram significativamente, situação que levou alguns deles a solicitar a devolução dos valores pagos.

"Pedimos o reembolso e fomos informados de que o dinheiro seria devolvido. Entretanto, já se passaram cerca de dois anos e continuamos sem solução", afirmou.

O denunciante acrescentou ainda que vários clientes perderam contacto com a responsável depois de terem sido removidos de um grupo criado pela suposta empresária para acompanhamento das encomendas.

Face à situação, os lesados decidiram tornar o caso público, com o objectivo de alertar outros consumidores para os riscos associados às compras efectuadas exclusivamente através das redes sociais.

Entre os casos relatados encontra-se também o de uma cidadã de 37 anos de idade, que afirma ter pago 37.500 kwanzas por um produto anunciado nas plataformas digitais da empreendedora.

Segundo a cliente, após efectuar o pagamento foi informada de que a mercadoria teria sido extraviada durante o transporte.

"Até hoje não recebi o produto nem o valor pago", declarou.

Empreendedora nega acusações

Contactada pela redacção Ponto de Situação, Helena Costa Chipuca, conhecida nas redes sociais como Helenice Vendas, negou tratar-se de um esquema de burla.

A empreendedora explicou que, durante o ano passado, enfrentou sérios constrangimentos relacionados com a perda de mercadorias importadas, situação que, segundo afirmou, afectou tanto os produtos dos clientes como os seus próprios investimentos.

"Todos os clientes sabem que houve problemas com a carga. O prejuízo foi muito elevado e continuo a trabalhar para devolver os valores em dívida. Não tenho condições financeiras para reembolsar todos ao mesmo tempo", por isso estou a fazê-lo de forma faseada esclareceu.

A responsável afirmou ainda que mantém contacto com os clientes e que a sua localização é conhecida, razão pela qual considera injustas as acusações de burla.

"Não desapareci. Tenho endereço fixo e continuo a responder aos clientes. Apenas peço compreensão porque o processo de devolução está a ser feito de forma gradual", disse.

Helena revelou igualmente que chegou a acumular uma dívida superior a sete milhões de kwanzas, valor que, segundo afirmou, foi reduzido para cerca de dois milhões e meio.

A empreendedora, garantiu que parte das pendências poderá ser resolvida ainda este mês, com a chegada de novas mercadorias.

Sobre as alegações relacionadas com a eliminação de clientes de grupos de WhatsApp, explicou que os grupos tinham fins essencialmente publicitários e administrativos, destinados à divulgação de produtos e confirmação de pagamentos.

Apesar das explicações apresentadas pela responsável, os clientes afectados continuam a exigir soluções concretas e prazos definidos para a regularização das suas situações.

Acompanhe as declarações da parte acusada, clicando aqui: