QUANDO OS CARGOS SE MEDEM PELA IDADE!

Tenho acompanhado as reacções à nomeação do novo Director Municipal da Energia e Águas do Tômbwa, na província do Namibe, um jovem de apenas 23 anos.

Desde que o anúncio foi tornado público, o debate tem-se concentrado quase exclusivamente na sua idade, relegando para segundo plano uma questão mais importante: terá ele competência para exercer o cargo? Infelizmente, para muitos, a juventude continua a ser vista como um obstáculo, mesmo antes de qualquer avaliação dos resultados.

Trata-se de Damião Molossande Kassinda. Não o conheço pessoalmente e, na verdade, ouvi falar dele pela primeira vez por ocasião da sua nomeação. Ainda assim, acredito que a análise de qualquer nomeação deve assentar na imparcialidade e no mérito, e não em simpatias ou preconceitos.

Naturalmente, a experiência continua a ser um factor relevante em qualquer função de liderança. Experiência e idade não são necessariamente sinónimos.

Existem jovens com percursos profissionais notáveis e pessoas mais velhas que nunca desenvolveram competências adequadas para determinadas responsabilidades. O essencial deve ser avaliar a capacidade de cada indivíduo, e não a data que consta no seu bilhete de identidade.

Infelizmente, a reacção negativa observada perante esta nomeação é um reflexo de um padrão enraizado em diversos sectores da nossa sociedade.

Mesmo no desporto angolano, é comum negligenciar talentos emergentes sob o pretexto de que o atleta "ainda deve atingir uma determinada idade". O resultado? Perdemos a oportunidade de ver jovens a atingirem patamares de excelência precocemente, simplesmente por falta de espaço.

Por que continuamos a persistir na ideia de que a competência é sinónimo de longevidade? Por que insistem em relegar os jovens ao papel eterno de "adjuntos" dos mais velhos, esperando que, apenas com o avançar dos anos, mereçam a confiança de liderar?

A realidade demonstra-nos, frequentemente, que nem sempre os mais velhos obtêm sucesso nas suas missões. Muitas vezes, os bons resultados alcançados por equipas lideradas por dirigentes experientes também resultam do contributo técnico e da capacidade dos seus assessores, muitos dos quais são jovens.

Se desejamos uma sociedade evoluída, precisamos de apostar em quadros competentes, independentemente da faixa etária. Temos em Angola inúmeros jovens que já demonstraram capacidade de gestão. Quantas empresas no país são lideradas por jovens que atingem objectivos audaciosos?

Pelo que tenho constactado, muitos críticos desconhecem esta realidade por não se darem ao trabalho de investigar.

Recordo-me de jovens políticos em quem foram depositados desafios e cujos resultados foram superiores aos de muitos veteranos que, supostamente, estariam mais "preparados".

A pergunta que fica é: se não apostarmos na juventude, como é que esta irá adquirir experiência? Quem tomará as rédeas do país se os jovens forem mantidos, indefinidamente, na retaguarda?

Aproveito para trazer à reflexão outro ponto: a subestimação dos jovens empresários angolanos.

Frequentemente, quando um jovem demonstra sucesso nos negócios, é alvo de desconfiança, como se fosse incapaz de ser o real proprietário ou o mentor do seu sucesso, uma dúvida que, curiosamente, jamais é levantada quando o empresário é de outra nacionalidade.

Precisamos de repensar o nosso futuro, porque, conheço jovens angolanos, brilhantes, nos diversos sectores que merecem a nossa vénia.

Se um jovem reúne formação, conhecimento técnico, capacidade de gestão e visão estratégica para assumir determinado desafio, a oportunidade deve ser-lhe concedida. A meritocracia só faz sentido quando os critérios de avaliação são as competências e os resultados, e não a idade.

Mais do que isso, é necessário mudar a forma como encaramos a juventude. O progresso de uma nação constrói-se com a experiência dos mais velhos, mas também com a energia, a criatividade e a ousadia das novas gerações. Uma sociedade que fecha portas aos seus jovens compromete o seu próprio futuro.

Espero que o novo Director Municipal da Energia e Águas do Tômbwa tenha êxito na missão que lhe foi confiada. Não porque seja jovem, mas porque o sucesso do seu trabalho poderá demonstrar que a competência não tem idade. Talvez, a partir desse exemplo, outros jovens angolanos possam ser avaliados pelo seu mérito e não pelos anos que carregam no calendário.

A idade pode contar a história de uma pessoa. A competência, essa, escreve o seu futuro.

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