O CHOQUE DIANTE DA VIOLÊNCIA INFANTIL

Foi na noite de segunda-feira, 15 de Junho, mês dedicado às crianças, que me deparei com um vídeo chocante publicado nas redes sociais. Nele, um menor era covardemente agredido por um individuo que aparentava ter entre 17 e 18 anos, enquanto um cúmplice filmava a cena como se estivessem a praticar um acto meritório.

Imagem gerada por IA

A dinâmica da agressão era perversa: o agressor chamava a criança, de aproximadamente 3 anos, simulando oferecer-lhe algo (possivelmente um doce). Assim que o menor se aproximava, indefeso e confiante, recebia bofetadas violentas na zona das orelhas. 

O mais angustiante não foi apenas o acto, mas a reacção dos envolvidos: entre risos e escárnio, o agressor repetia a violência, e quem filmava, longe de intervir, divertia-se com o sofrimento de uma criança que chorava, sem compreender a maldade que a cercava.

-Vem, vem, toma…, dizia o indivíduo, enquanto sorria.

É urgente questionar: que tipo de comportamento é este? Que "brincadeira" doentia é essa? É imperativo que estes indivíduos sejam responsabilizados. Não importa a sua idade.

Eles têm noção do valor da vida? Têm noção das consequências psicológicas e físicas para uma criança vítima de tamanha covardia?

Não posso calar-me diante de cenas desta natureza. Exijo que as autoridades competentes assumam uma postura firme. Não importa se o agressor é familiar ou próximo da criança; a impunidade apenas alimenta a reincidência. Este vídeo é, provavelmente, apenas a ponta do iceberg de um ciclo de abusos que este menor tem sofrido e que, lamentavelmente, só agora veio a público.

A violência contra os mais novos cresce porque, muitas vezes, falhamos na protecção básica daqueles que não podem defender-se. Temo pelas consequências para esta criança: traumas, danos na audição, dificuldades de aprendizagem ou o risco de ela própria vir a reproduzir este comportamento violento no futuro.

Basta!

Precisamos de justiça para garantir que as nossas crianças tenham um futuro digno. O meio em que vivemos é o reflexo directo dos valores cultivados nas nossas famílias e na sociedade.

Muitas das nossas crianças já enfrentam dificuldades extremas para aceder ao básico, a uma alimentação digna ou aos direitos mais elementares. Quando a isto somamos indivíduos com comportamentos maléficos que visam destruir o psicológico e a integridade física dos mais pequenos, estamos a comprometer a base da nossa sociedade.

Reflictamos e levantemo-nos em defesa dos nossos mais novos. O futuro do que estamos a construir depende da protecção e do cuidado que lhes oferecemos hoje.

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