MCK DESAFIA JUVENTUDE A LIDERAR A MUDANÇA E CRITICA DEPENDÊNCIA DE ESTRANGEIROS

Num discurso marcado por forte consciência social e política, o músico MCK defendeu que a nova geração angolana deve assumir um papel activo na transformação do país, rejeitando a dependência de forças estrangeiras e denunciando a continuidade de práticas corruptas. Para o artista, o futuro de Angola passa pela acção consciente da juventude, pelo reforço da democracia e pela valorização das capacidades internas.

Imagem: DR Ponto de Situação

Durante a sua intervenção, MCK destacou que cada geração angolana enfrentou o seu próprio desafio histórico: os avós lutaram pela independência, os pais pela paz, e agora cabe à juventude lutar pela democratização, pelo progresso e pelo desenvolvimento sustentável do país. Segundo o músico, não se pode continuar à espera que estrangeiros reconstruam Angola ou revelem o seu potencial.

O artista criticou ainda a permanência de figuras corruptas na condução dos destinos do país, alertando que tal realidade compromete o avanço social e político. Para ele, a participação activa da sociedade civil é fundamental para pressionar as instituições públicas e garantir melhores políticas e oportunidades.

MCK sublinhou também a importância da exigência cívica como motor da democracia, defendendo que sociedades mais evoluídas são aquelas onde há acompanhamento crítico dos partidos políticos e onde as propostas respondem às reais necessidades da população. Acrescentou que nem todos precisam integrar partidos políticos, mas todos podem contribuir através do activismo e do engajamento cívico.

Ao abordar o Dia da Juventude Angolana, celebrado a 14 de Abril, o músico mostrou-se crítico, afirmando que a data está mais associada à juventude partidária do MPLA. Na sua visão, o 20 de Junho teria um significado mais representativo, por recordar a detenção de jovens activistas e simbolizar a luta pela liberdade de expressão e pelos direitos da juventude.

O artista lamentou ainda a ausência de políticas concretas voltadas para a educação e o desenvolvimento intelectual dos jovens, apontando que muitos são deixados ao abandono. Rejeitou também a narrativa de que a juventude é preguiçosa, destacando o esforço diário de milhares de angolanos que, desde cedo, lutam pela sobrevivência.

No que diz respeito ao activismo em Angola, MCK reconheceu o crescimento dos movimentos cívicos e considerou-os essenciais para o fortalecimento da democracia. Para ele, quanto maior for a pressão política exercida pela sociedade, melhor será a qualidade democrática do país.

Com uma mensagem firme e inspiradora, MCK reafirma a sua crença no poder transformador da juventude angolana. Entre críticas e propostas, deixa um apelo claro: ‘‘o futuro de Angola não deve ser esperado deve ser construído, passo a passo, pelas mãos daqueles que ousam acreditar e agir’’.