PAPA LEÃO XIV DESAFIA CLASSE POLÍTICA ANGOLANA À VERDADE, JUSTIÇA E COMBATE À CORRUPÇÃO

O Papa Leão XIV lançou, no Kilamba, em Luanda, um apelo directo à classe política angolana para que alinhe a sua acção com os valores da verdade, da justiça e da integridade, defendendo a superação das divisões históricas e o combate firme à corrupção como caminhos indispensáveis para restaurar a esperança no país.

Imagem: Jornal de Angola

Num dos momentos mais marcantes da sua homilia durante a missa campal, o Santo Padre não se limitou à dimensão espiritual, tendo abordado, de forma clara, questões estruturais que marcam a realidade social e política de Angola. 

Perante milhares de fiéis reunidos na Centralidade do Kilamba, o líder da Igreja Católica chamou a atenção para a responsabilidade dos fazedores da política na construção de uma sociedade mais justa e reconciliada.

Ao invocar a centralidade de Cristo ressuscitado como referência de verdade, o Papa Leão XIV exortou os responsáveis políticos a orientarem as suas decisões por princípios éticos sólidos, rejeitando práticas que alimentam a divisão, o ódio e a exclusão.

O Pontífice destacou a necessidade de Angola ultrapassar definitivamente as fracturas do passado, defendendo um processo de reconciliação que vá além dos discursos formais e se traduza em acções concretas no quotidiano dos cidadãos. Para tal, apontou como essencial a erradicação da violência, do ressentimento e de todas as formas de intolerância que fragilizam o tecido social.

Um dos pontos centrais da sua intervenção foi o combate à corrupção, descrita como uma “chaga” que compromete o desenvolvimento e corrói a esperança colectiva. O Papa alertou que práticas como a desonestidade e o orgulho têm contribuído para aprofundar desigualdades e dividir a sociedade, apelando à adopção de uma nova cultura assente na justiça, na transparência e na partilha.

Neste sentido, sublinhou que a construção de um futuro mais equilibrado passa, necessariamente, pela promoção do bem comum e pela valorização dos princípios éticos na gestão pública e privada. A sua mensagem teve particular enfoque nos jovens, considerados essenciais para a renovação moral e social do país, mas que, segundo o Pontífice, necessitam de sinais concretos de esperança e oportunidades reais.

Apesar do tom crítico, o discurso foi igualmente marcado por uma nota de encorajamento. O Santo Padre convidou os angolanos a olharem para o futuro com coragem, reforçando a ideia de que, mesmo diante das dificuldades, a esperança não deve ser abandonada.

 “Cristo ressuscitado caminha convosco”, recordou, numa mensagem que procurou unir fé e responsabilidade social.

A intervenção de Leão XIV reafirma o papel da Igreja como voz moral na sociedade, ao mesmo tempo que coloca no centro do debate nacional questões estruturais que exigem respostas urgentes e consistentes. Mais do que uma homilia, a mensagem deixou um apelo directo à consciência colectiva, desafiando líderes e cidadãos a assumirem um compromisso real com a transformação do país.

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