SEXTA-FEIRA 13: ENTRE O MITO E A REALIDADE DAS CRENÇAS POPULARES

A sexta-feira 13 é considerada, em muitas culturas ocidentais, um dia associado ao azar e a diversas superstições. O receio dessa data é conhecido como parascevedecatriafobia, medo específico da mesma, ou triscaidecafobia, o medo do número 13.

Imagem: Mais Afrika

Em 2026, o calendário traz uma curiosidade: o ano terá três sextas-feiras 13; em Fevereiro, Março e Novembro. Para compreender como a sociedade encara essa data, o Portal Ponto de Situação foi às ruas ouvir diferentes opiniões sobre o significado e as crenças ligadas ao dia.

Embora seja amplamente associada ao azar, a sexta-feira 13 divide opiniões entre os cidadãos. Para alguns, trata-se apenas de uma superstição popular sem fundamento real.

Homeiro Ceita, funcionário público, considera que a reputação negativa do dia está ligada às experiências pessoais das pessoas. Segundo ele, muitas vezes o sentimento de azar nasce de lembranças tristes que ocorreram numa data semelhante. “As pessoas tendem a considerar este dia como azarado porque não tiveram boas experiências. Para mim, é apenas um dia normal”, afirmou.

Já Edna Pascoela Guimarães, estudante de 19 anos, acredita que a ideia de azar depende muito das vivências individuais. Para a jovem, é preciso analisar a história e compreender que a crença está associada a contextos culturais específicos.

“A sexta-feira 13 é uma superstição ocidental que combina o medo do número 13, com a má fama da sexta-feira. Não podemos comparar directamente essa realidade com a cultura angolana”, explicou.

Na visão do sociólogo Abel António, as crenças e superstições fazem parte da construção social do ser humano. Ele defende que mitos e histórias sempre influenciaram o comportamento das pessoas ao longo do tempo.

“Todos nós crescemos em meio a mitos e narrativas que ajudam a explicar o mundo. A sexta-feira 13 é apenas mais um exemplo dessa construção cultural”, destacou o sociológo.

O também docente sublinhou que, fora do contexto religioso ou mitológico, a data não difere de qualquer outro dia do calendário. Para ele, a sociedade deveria refletir mais sobre a origem histórica das crenças e compreender como elas se formam ao longo do tempo.

Assim, entre superstição e racionalidade, a sexta-feira 13 continua a despertar curiosidade e debate. Para uns, representa um dia de azar, para outros, não passa de mais uma data comum no calendário.