ENTRE ESTUDOS E SAUDADES: O DIA A DIA DOS ESTUDANTES ANGOLANOS NAS UNIVERSIDADES BRASILEIRAS

Longe de casa, enfrentando desafios acadêmicos e culturais, estudantes angolanos no Brasil têm construído trajectórias marcadas por dedicação, trabalho e superação.

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No Ceará e no Rio Grande do Sul, Klisman Cândido e Victor Quibutamena representam uma geração que busca formação de excelência e carrega consigo o compromisso de honrar Angola no cenário internacional.

A rotina de muitos estudantes angolanos que escolheram o Brasil como destino para a formação acadêmica é marcada por intensa dedicação aos estudos, participação em actividades científicas e também pelo desafio da distância da família.

Desde 2017, jovens angolanos têm se espalhado por diversas universidades brasileiras, onde procuram não apenas adquirir conhecimento, mas também afirmar o nome de Angola no exterior.

Entre esses estudantes estão Klisman Cândido, mestrando em Matemática pela Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB), no estado do Ceará, e Victor Quibutamena, estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), no Rio Grande do Sul. Ambos vivem uma rotina exigente que combina estudos, trabalhos científicos e actividades profissionais.

Segundo os estudantes, o dia a dia é caracterizado por uma constante corrida contra o tempo. A participação em projectos de pesquisa, actividades de extensão e trabalhos acadêmicos tem sido fundamental para cumprir os critérios exigidos pelas universidades e também para acumular horas complementares, consideradas essenciais na formação universitária brasileira.

No caso de Klisman, a experiência acadêmica vai além das salas de aula da universidade. O estudante tem se dedicado a ministrar aulas de matemática em escolas, contribuindo para a formação de outros estudantes e reforçando sua experiência pedagógica. Paralelamente, tem buscado ampliar sua qualificação por meio de cursos de aperfeiçoamento em metodologias de ensino, práticas pedagógicas e tecnologias educacionais.

Victor Quibutamena, por sua vez, tem conciliado os estudos em jornalismo com a prática profissional. O estudante angolano actua como jornalista colaborador em diferentes plataformas digitais voltadas ao desporto, o que lhe permite ganhar experiência no campo da comunicação enquanto avança na formação acadêmica.

Apesar das conquistas e oportunidades, a experiência no exterior também apresenta desafios. Um dos pontos destacados pelos estudantes é a dificuldade de convivência e integração entre alguns angolanos residentes no Brasil.

Klisman observa que, em determinadas regiões do país, sobretudo no sul e sudeste, a comunicação e o convívio entre compatriotas são mais limitados, ao contrário do que ocorre em regiões do norte e nordeste, onde a interação tende a ser mais frequente.

Outro desafio significativo é a distância da família. Victor Quibutamena admite que a saudade é uma das maiores dificuldades enfrentadas durante a permanência no exterior. Ainda assim, afirma que o sentimento de orgulho por estar a construir uma formação sólida compensa o sacrifício. O estudante revelou também o desejo de, em breve, poder reencontrar a família.

As actividades de extensão universitária, que incluem projectos comunitários, acções educativas e até mesmo a ministração de aulas em diferentes localidades, também fazem parte do percurso acadêmico desses estudantes. Além de contribuírem para a formação prática, essas iniciativas são valorizadas pelas universidades e ajudam na obtenção de créditos e pontos necessários para a conclusão dos cursos.

Klisman Cândido e Victor Quibutamena representam apenas dois entre muitos angolanos espalhados pelo mundo que, através da educação, procuram elevar o nome do país. Com esforço e perseverança, esses jovens transformam desafios em oportunidades, construindo pontes de conhecimento entre Angola e o Brasil e preparando-se para contribuir com o desenvolvimento das suas comunidades no futuro.