VILA LIBERDADE EM CONFLITO: MORADORES DENUNCIAM VENDA DE CASAS DESTINADAS A FAMÍLIAS DO KITOKOLOCA
Os moradores da Vila Liberdade, no Zango 1, município de Calumbo, enfrentam uma longa disputa pela aquisição das casas construídas para acolher famílias anteriormente residentes na zona do Kitokoloca, no Km 25, nas imediações da Zona Económica Especial de Luanda.
Os moradores, alegam que parte das habitações terá sido atribuída de forma irregular e acusam membros da comissão de moradores de terem alegadamente se apoderado de algumas casas para posteriormente as vender, deixando famílias que constavam das listas de beneficiários sem habitação.
Dona Lúcia, nome fictício, de 69 anos, uma das beneficiárias, afirmou que a situação terá resultado da actuação de membros da comissão de moradores.
“O senhor Macoxi, que é o coordenador, deixou-se enganar pelos seus auxiliares. Acabaram por vender todas as casas e muitos dos que tinham direito ficaram sem casa”, denunciou.
Segundo outros moradores, que preferiram não revelar a identidade por receio de represálias, a situação agravou-se quando perceberam que algumas famílias que constavam das listas não receberam habitação, enquanto outras pessoas passaram a ocupar casas que, segundo dizem, não lhes seriam destinadas.
Moradores dizem ter recorrido à ocupação de casas vazias
Perante o impasse, alguns moradores afirmaram ter decidido ocupar habitações que encontraram desocupadas, numa tentativa de chamar a atenção para o problema.
Foi durante esse processo, segundo os denunciantes, que terão identificado alegados esquemas relacionados com a distribuição das casas. Os moradores dizem estar a procurar apoio jurídico e apelam à intervenção das autoridades competentes para esclarecer a situação.
Os afectados afirmam ainda que o próprio coordenador da comissão, conhecido por Macoxi, terá reconhecido que foi “enganado” pelos seus auxiliares.
“Nós já chamámos o mais velho Macoxi. Ele próprio reconheceu que foi enganado pelos seus adjuntos. Agora apareceram elementos das FAA e pediram para ele trabalhar connosco para resolver esta situação”, relatou um dos moradores.
Famílias contestam cobrança de 200 mil kwanzas
Outra denúncia apresentada pelos moradores está relacionada com alegadas cobranças para a atribuição das habitações.

Imagem: DR Ponto de Situação
Segundo os denunciantes, famílias que constavam das chamadas “listas vermelhas” e outras que apresentaram reclamações teriam sido informadas sobre a necessidade de pagar 200 mil kwanzas.
Os moradores questionam a legalidade destas cobranças e defendem que as famílias transferidas do Kitokoloca deveriam receber as habitações sem qualquer esquema que pudesse impedir o acesso dos beneficiários.
“Vivíamos 700 famílias e foram construídas 730 casas”
Um dos principais argumentos apresentados pelos moradores está relacionado com o número de famílias transferidas e o total de habitações construídas.
“Vivíamos 700 famílias e foram construídas 730 casas. Como é possível ainda existirem famílias sem casa? Onde estão e quem são as pessoas que beneficiaram dessas casas?”, questionou um dos residentes.
Os moradores reclamam igualmente das condições de habitabilidade da Vila Liberdade. Segundo os relatos, existem casas sem instalações sanitárias adequadas, enquanto a falta de água e energia eléctrica continua a afectar várias famílias.
Para alguns residentes, a mudança do Kitokoloca para a Vila Liberdade não representou ainda a melhoria de vida esperada.
“Saímos da escuridão para viver na escuridão, mesmo com a passagem dos cabos de media tensão”, lamentou uma das moradoras.
Os residentes recordam que, durante a realização da FILDA, em Julho, responsáveis da Zona Económica e da Administração de Calumbo terão prometido a instalação de energia eléctrica na localidade, mas, segundo os moradores, a promessa continua por concretizar.
Mais de um ano de espera
A disputa pela atribuição das casas prolonga-se há mais de um ano, deixando várias famílias numa situação de incerteza.
Os moradores defendem uma intervenção das autoridades para a revisão das listas de beneficiários, esclarecimento sobre a atribuição das 730 habitações e investigação das alegadas cobranças e vendas irregulares.
A equipa do Ponto de Situação tentou contactar a comissão de moradores da Vila Liberdade para obter a sua versão dos factos e esclarecer as acusações apresentadas pelos residentes, mas não foi possível estabelecer contacto até ao momento.
As denúncias carecem, por isso, de esclarecimento formal por parte da comissão de moradores e das entidades responsáveis pelo processo de realojamento.





































