2 MILHÕES EM CAUSA: FILHA SIMULA PRÓPRIO RAPTO PARA EXTORQUIR MÃE

Uma jovem de 18 anos foi detida pelo Serviço de Investigação Criminal (SIC), em Luanda, após liderar um esquema de simulação de rapto com o objectivo de extorquir dinheiro à própria mãe, numa acção que envolveu ainda dois comparsas e que terminou com detenções em flagrante.

Imagem: RNA

O caso, que inicialmente parecia tratar-se de um rapto real, revelou-se um plano meticulosamente arquitectado no seio familiar, expondo uma dimensão preocupante da criminalidade urbana associada à extorsão e simulação de crimes.

De acordo com o SIC, a jovem Teresa Simão, de 18 anos, é apontada como a mentora da acção criminosa, tendo contado com a colaboração de Silvino Júnio Salvador, de 26 anos, e João Barroso Domingos, de 29, conhecidos respectivamente por “Sílvio” e “Jó”. O trio está acusado dos crimes de simulação de rapto, extorsão e comparticipação criminosa.

Tudo começou com a denúncia apresentada por uma comerciante de 34 anos, residente no bairro Vila Flor, na centralidade do Kilamba, que reportou o alegado rapto da filha por indivíduos desconhecidos.

 Segundo o relato da mãe, os supostos sequestradores exigiam inicialmente dois milhões de kwanzas para a libertação da jovem, sob ameaça de morte. Durante os contactos telefónicos, a comerciante afirmou ter ouvido a própria filha em desespero, clamando por ajuda, o que reforçou a credibilidade da ameaça.

Face à pressão, iniciou-se um processo de negociação que resultou na redução do valor exigido para 200 mil kwanzas, tendo sido definido como ponto de entrega a zona do Estádio 11 de Novembro. Foi neste momento que o SIC montou uma operação que viria a ser decisiva.

No local previamente combinado, os efectivos detiveram em flagrante o primeiro suspeito, que se encontrava na posse do dinheiro. Pouco tempo depois, na zona da Engevia, foi capturado o segundo implicado, que estava na companhia da suposta vítima, desmontando definitivamente a versão inicial de rapto.

Durante os interrogatórios, os detidos confessaram que todo o plano havia sido concebido pela própria jovem, que forneceu informações detalhadas sobre a actividade comercial da mãe e sobre a existência de valores monetários guardados em casa, provenientes de uma venda recente. O objectivo seria dividir o montante extorquido entre os três envolvidos.

A jovem foi localizada dois dias após a denúncia inicial, encerrando o ciclo de um crime que deixou a família profundamente abalada.

 Fontes próximas indicam que o choque e a consternação marcaram a reacção dos familiares ao tomarem conhecimento da participação directa da filha no esquema.

O porta-voz do SIC-Geral, Manuel Halawaia, destacou a eficácia da intervenção policial, sublinhando que a rapidez e coordenação da operação foram determinantes para o desmantelamento da acção criminosa antes que causasse prejuízos maiores.

Manuel Halawaia reiterou  que os três detidos serão presentes ao Ministério Público para os trâmites legais, enquanto reforçam o apelo à população para evitar práticas que atentem contra a ordem pública e os valores sociais.

O caso levanta, entretanto, questões mais amplas sobre a degradação de valores, a instrumentalização de laços familiares para fins ilícitos e a crescente sofisticação de esquemas de extorsão no contexto urbano angolano, exigindo não apenas resposta policial, mas também reflexão social profunda.

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