23 DE MARÇO: ÁFRICA AUSTRAL CELEBRA LIBERTAÇÃO MARCADA PELA HISTÓRICA BATALHA DO CUITO CUANAVALE
Assinala-se hoje, 23 de Março, o Dia da Libertação da África Austral, uma data que simboliza a coragem, a resistência e a unidade dos povos da região. A efeméride remete à Batalha do Cuito Cuanavale, considerada decisiva para o fim do regime do Apartheid e para a consolidação da independência de vários países da região.
As celebrações centrais decorrem no município do Cuito Cuanavale, palco de um dos mais importantes confrontos militares da história contemporânea africana.
O acto nacional será presidido pelo ministro da Defesa Nacional, João Ernesto dos Santos Liberdade, no âmbito dos oito anos da institucionalização da data como feriado nacional em Angola e dos 38 anos desde o fim da batalha.
O governante tem igualmente previsto um encontro com Mwene Mbingo Mbingo, autoridade tradicional da região, num gesto que reforça o reconhecimento do papel das lideranças locais na preservação da memória histórica.
A Batalha do Cuito Cuanavale, travada entre 15 de Novembro de 1987 e 23 de Março de 1988, opôs as forças angolanas às tropas do regime sul-africano, num confronto intenso que alterou o rumo político da África Austral. Combatentes recordam momentos difíceis, marcados pela intensidade dos combates. “O céu estava amarelado por conta da artilharia pesada que as nossas forças usaram”, relatou Lourenço Manuel, sublinhando a dimensão do esforço militar.
Segundo o antigo combatente, o inimigo apresentava vantagens no terreno, mas a determinação das forças angolanas foi decisiva para o desfecho do conflito. “Foi muita luta, mas tudo foi feito para que conseguíssemos alcançar a vitória”, acrescentou.
O impacto da batalha conduziu à assinatura dos Acordos de Nova Iorque, que viabilizaram a implementação da Resolução 435/78 do Conselho de Segurança da ONU. Este processo abriu caminho para a independência da Namíbia e contribuiu para a libertação de Nelson Mandela, culminando com o fim do Apartheid.
A data continua a ser evocada como símbolo de resistência e vitória colectiva, reforçando os valores de paz, reconciliação e democracia na África Austral, bem como a necessidade de valorização contínua dos antigos combatentes que participaram neste marco histórico.





































