ANGOLA E BANCO MUNDIAL ANALISAM DESEMBOLSO DE EMPRÉSTIMO DE 700 MILHÕES DE DÓLARES PARA AGRICULTURA E APOIO AO OGE

Angola e o Banco Mundial analisaram, em Washington, nos Estados Unidos da América, o desembolso de um empréstimo no valor de 700 milhões de dólares, destinado a apoiar a agricultura e a reforçar o Orçamento Geral do Estado (OGE) deste ano.

Imagem: Jornal de Angola

O encontro decorreu no âmbito das reuniões de Primavera do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI).

A reunião fez uma avaliação da execução dos desembolsos já realizados no quadro do financiamento.

O director de operações do Banco Mundial para Angola, República Democrática do Congo, Burundi e São Tomé e Príncipe afirmou que Angola tem sido um exemplo de parceria, o que lhe tem garantido vários benefícios financeiros.

Economista defende aposta de até 70% do valor na agricultura

Imagem: DR/Ponto de Situação

Em entrevista concedida ao  portal Ponto de Situação, o economista Carlos Wimbo referiu que não é negativo Angola recorrer a empréstimos, mas defendeu que o principal desafio está na forma como estes recursos são utilizados.

Segundo o economista, a maior parte deveria ser direccionada ao sector da agricultura, entre 60% a 70%, de forma a reduzir a escassez da cesta básica, ficando cerca de 30% para apoio ao Orçamento Geral do Estado.

O especialista explicou ainda que grande parte das despesas do OGE está concentrada na máquina do Estado, sobretudo no pagamento de salários dos funcionários públicos e na aquisição de serviços.

De acordo com os dados referidos, a dívida pública de Angola em relação ao Orçamento Geral do Estado ronda os 70%, o que significa que cerca de 70% das receitas arrecadadas pelo Estado são usadas para o pagamento da dívida. O economista alertou que, segundo a lei de elaboração do OGE, a dívida pública não deveria ultrapassar os 60% das receitas, o que indica um incumprimento das normas orçamentais.

Por fim, foi realçado que a economia angolana já não regista crescimento há cerca de quatro a cinco anos, tendo entrado num período de estagnação e até de retracção.

LEIA TAMBÉM: ECONOMISTA ALERTA: 50% DOS PROBLEMAS FAMILIARES TÊM ORIGEM NA MÁ GESTÃO FINANCEIRA