ANGOLA E BRASIL APROFUNDAM COOPERAÇÃO NA INSPECÇÃO DO ESTADO COM FOCO NA TECNOLOGIA E TRANSPARÊNCIA
A deslocação do inspector-geral da Administração do Estado, João Manuel Francisco, à República Federativa do Brasil marca um novo capítulo na cooperação institucional entre os dois países, com enfoque na modernização dos mecanismos de controlo interno, reforço da transparência e eficiência na gestão pública.
À frente de uma delegação da Inspecção Geral da Administração do Estado, João Manuel Francisco cumpre uma agenda de trabalho centrada na troca de experiências com a Controladoria-Geral da União, entidade brasileira reconhecida pela sua actuação no combate à corrupção e na promoção de boas práticas administrativas.
A visita enquadra-se num esforço mais amplo do Executivo angolano em fortalecer as instituições de controlo e adaptá-las às exigências contemporâneas, onde a tecnologia assume um papel determinante na prevenção de irregularidades e na fiscalização eficiente da despesa pública.
Entre os principais pontos da agenda destacam-se as sessões técnicas com a Secretaria Federal de Controlo Interno, nas quais são apresentados instrumentos inovadores como o sistema ALICE, utilizado para análise automatizada de contratos e processos de contratação pública, e o e-Patri, voltado para o controlo patrimonial electrónico.
Estas ferramentas permitem não apenas detectar inconsistências com maior rapidez, mas também antecipar riscos, reforçando uma abordagem preventiva na gestão pública. Paralelamente, temas como auditoria baseada em risco e avaliação de políticas sociais demonstram uma mudança de paradigma: de um controlo meramente reactivo para um modelo inteligente e estratégico.
Um dos resultados mais aguardados da missão é a criação das bases para um Protocolo de Cooperação entre a IGAE e a CGU. O acordo deverá institucionalizar a partilha de conhecimentos, a formação de quadros e o intercâmbio técnico, consolidando uma parceria de longo prazo.
Este instrumento surge como resposta à necessidade de Angola acelerar o processo de modernização administrativa, alinhando-se com padrões internacionais de transparência e prestação de contas.
A intenção declarada da delegação angolana em absorver a experiência brasileira revela uma estratégia clara: transformar a inspecção administrativa num pilar robusto da boa governação. No entanto, especialistas alertam que a eficácia destas iniciativas dependerá não apenas da adopção de tecnologias, mas também da capacitação contínua dos recursos humanos e da consolidação de uma cultura institucional baseada na integridade.
Para além dos ganhos técnicos, a visita reforça os laços históricos e culturais entre Angola e o Brasil, demonstrando que a cooperação Sul-Sul pode ser um instrumento eficaz na construção de instituições mais fortes e resilientes.
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