ANGOLA INVESTE NA EXCELÊNCIA MÉDICA COM ENVIO DE BOLSEIROS PARA FORMAÇÃO INTERNACIONAL

O Ministério da Saúde enviou 36 profissionais para formação especializada em Portugal e no Brasil, no âmbito do Projecto de Formação de Recursos Humanos em Saúde (PFRHS), reforçando a aposta estratégica na qualificação do capital humano e na modernização do sistema nacional de saúde.

Imagem: CEDIDA

Num momento em que o fortalecimento do sistema de saúde se afirma como prioridade nacional, o Executivo angolano volta a apostar na formação especializada como eixo estruturante para garantir melhores respostas assistenciais à população. A cerimónia de acolhimento dos 36 bolseiros, realizada em Luanda, marca mais um passo concreto neste percurso de transformação.

A iniciativa enquadra-se no Projecto de Formação de Recursos Humanos em Saúde (PFRHS), um programa ambicioso que prevê a formação de 38 mil profissionais até 2028, combinando capacitação interna e formação internacional em instituições de referência. Trata-se de uma estratégia que visa não apenas aumentar o número de quadros qualificados, mas também elevar o padrão técnico e científico dos serviços de saúde no país.

Presidido pela ministra da Saúde, Sílvia Paula Valentim Lutucuta, o acto foi marcado por um discurso centrado na responsabilidade e no compromisso. A governante sublinhou que a formação no exterior representa mais do que uma oportunidade académica, é um investimento do Estado que exige retorno em forma de excelência, ética e serviço público.

Dirigindo-se aos bolseiros, destacou que cada um deles carrega consigo a imagem de Angola, reforçando a necessidade de disciplina, rigor e humildade científica. “O vosso comportamento fora do país é também um reflexo do nosso sistema de saúde”, afirmou, apelando a uma postura exemplar ao longo de todo o percurso formativo.

O programa contempla especializações em áreas críticas como cardiologia, medicina intensiva, ortopedia, neonatologia, enfermagem especializada e gestão hospitalar, entre outras. A diversidade das formações reflecte uma leitura estratégica das necessidades do sistema nacional, procurando colmatar lacunas e preparar respostas mais eficazes aos desafios actuais.

O coordenador e gestor técnico do projecto, Job Monteiro, destacou o carácter estruturante da iniciativa, sublinhando que Angola já ultrapassou a marca dos 15 mil profissionais em formação especializada. Para o responsável, este número traduz uma das maiores apostas do país na valorização do capital humano no sector da saúde.

A expansão do programa mantém-se em curso. Só este ano, mais de mil profissionais deverão beneficiar de formação no exterior, abrangendo países como Brasil, Portugal e Espanha, no quadro de uma política de cooperação internacional orientada para a transferência de conhecimento e inovação.

Para além da componente académica, os bolseiros receberam orientações técnicas e administrativas essenciais, desde a gestão de subsídios até normas de conduta e segurança, reforçando a importância de uma preparação integral que vá além da sala de aula.

A iniciativa reflecte uma visão de longo prazo, onde a formação de quadros qualificados se assume como base para a construção de um sistema de saúde mais robusto, moderno e eficiente. Num país com desafios significativos no acesso e qualidade dos cuidados, investir nas pessoas torna-se não apenas uma opção, mas uma necessidade estratégica.

Ao apostar na formação internacional, Angola procura encurtar distâncias no domínio do conhecimento, trazendo para dentro das suas fronteiras experiências, práticas e competências capazes de transformar realidades.

No fim, o verdadeiro impacto deste investimento medir-se-á não apenas nos diplomas obtidos, mas na capacidade destes profissionais de devolver ao país um sistema de saúde mais humano, mais preparado e mais próximo das necessidades dos cidadãos.