CÓLERA VOLTA A ALARMAR O PAIS

A província de Benguela enfrenta um novo surto de cólera que já provocou mais de 100 mortes desde Fevereiro, colocando as autoridades sanitárias em alerta face ao aumento de casos associados à falta de saneamento e ao consumo de água imprópria.

Imagem: Governo de Angola

De acordo com o director do Gabinete Provincial da Saúde, António Manuel Cabinda, citado pela Rádio Nacional de Angola, a situação agravou-se nas últimas semanas, com o registo de 50 novos casos em apenas 24 horas, entre os dias 28 e 29 de Abril.

Os municípios da Baía-Farta, Navegantes e Benguela são, neste momento, os que mais preocupam as autoridades, devido à elevada incidência da doença.

Segundo o responsável, o ressurgimento do surto está directamente ligado à prática de defecação ao ar livre e ao consumo de água não tratada, factores que aceleram a transmissão da cólera.

“As questões do saneamento do meio e da qualidade da água são determinantes para travar a doença”, alertou António Manuel Cabinda.

O profissional  sublinhou que a província apresenta ainda muitos focos de risco que favorecem não só a cólera, mas também outras doenças de transmissão hídrica.

Paulo Forquilia defendeu a necessidade de o Governo reforçar mecanismos concretos de prevenção, com destaque para campanhas de sensibilização comunitária, de modo a reduzir custos e conter a propagação de doenças.

Por sua vez, Franco Martins, coordenador nacional de luta contra a malária em Angola, apontou a prevenção como elemento central no combate à propagação da cólera, alertando para o impacto das chuvas intensas que têm atingido várias províncias do país.

A nível nacional, Angola continua a enfrentar surtos recorrentes da doença, agravados por limitações no acesso à água potável e ao saneamento básico. Em 2025, o país registou mais de 25 mil casos e centenas de mortes, com províncias como Luanda, Benguela, Cuanza Sul e Malanje entre as mais afectadas.

Apesar de uma redução significativa de novos casos em 2026, estimada em cerca de 75%, as autoridades mantêm vigilância apertada, numa altura em que a taxa de letalidade em algumas regiões ultrapassa os níveis recomendados pela Organização Mundial da Saúde.

O perfil dos afectados revela maior incidência entre crianças, particularmente na faixa etária dos 2 aos 5 anos, evidenciando a vulnerabilidade das populações com acesso limitado a condições básicas de higiene e saneamento.

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