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Em entrevista, o declamador recordou que a inspiração para escrever nasceu ao observar os irmãos da igreja recitarem textos bíblicos. Foi partir desta realidade que sentiu a necessidade de produzir poemas que transmitissem mensagens capazes de despertar consciências e fortalecer a fé.
Em 2014, decidiu dedicar-se definitivamente à poesia, estreando-se com o poema "O Anjo na Pele de Ovelha", uma obra de carácter cristocêntrico que procurava chamar a atenção para o comportamento de alguns crentes cuja conduta não correspondia aos princípios que professavam.
Ao longo da conversa, Bucólico fez questão de desfazer um dos estigmas que, na sua opinião, ainda pesa sobre os poetas.
"As pessoas olham para os poetas como alguém que apenas tem a missão de entreter. O poeta é muito mais do que isso".
Para o escritor, a poesia não se limita ao espectáculo. É uma ferramenta de educação, sensibilização e transformação social, capaz de provocar mudanças profundas na forma como as pessoas pensam e encaram a vida.
"A poesia é mudança de consciência"

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Vencedor de um concurso nacional de poesia em 2021, Bucólico considera que o seu percurso artístico tem sido marcado pela graça de Deus. Escolheu dedicar-se à poesia cristocêntrica, orientando toda a sua produção para a divulgação dos valores do Evangelho.
Apesar das conquistas, lamenta que a poesia continua pouco valorizada em Angola.
Segundo o poeta, o interesse pelas actividades literárias aumenta apenas durante o mês de Setembro, devido às celebrações ligadas ao Herói Nacional.
"Fora desse período, o poeta é muito abandonado"
Na sua visão, a escassez de financiamento constitui um dos maiores obstáculos ao desenvolvimento da poesia angolana. A dificuldade em encontrar patrocínios e recursos para organizar recitais tem levado muitos talentos a desistirem da carreira.
Bucólico manifesta igualmente preocupação com o papel desempenhado pela União dos Escritores Angolanos, defendendo uma actuação mais inclusiva e próxima dos novos autores e declamadores espalhados pelo país.
O poeta critica ainda a forma como algumas instituições tratam os fazedores da arte, considerando que a poesia merece maior reconhecimento enquanto instrumento de educação, preservação cultural e formação de valores.
Como apreciador da literatura nacional, destaca os poetas Zola Ramos e Leal Mundunde entre as suas principais referências, cujas obras influenciaram o seu percurso artístico.Além da actividade literária, Bucólico exerce a profissão de professor de Língua Portuguesa, realidade que, segundo admite, dificulta a gestão das responsabilidades associativas e dos projectos culturais em que está envolvido.
Ainda assim, deixa uma mensagem de perseverança aos jovens poetas.
"É preciso esforçarem-se um pouco mais, estudar, escrever constantemente e acreditar que a poesia continua a ser uma das mais nobres formas de transformar vidas".
Entre os desafios e as conquistas, Bucólico mantém intacta a convicção de que a palavra tem poder para educar, evangelizar e despertar consciências, defendendo que a poesia deve ocupar um lugar cada vez mais relevante na construção de uma sociedade mais crítica, sensível e humana.