ECONOMISTA QUESTIONA INDEPENDÊNCIA DO INE E CONTESTA PESO DO PETRÓLEO NO PIB ANGOLANO
O economista Carlos Rosado de Carvalho defendeu a independência institucional do Instituto Nacional de Estatística (INE) e criticou a alegada interferência do governo na divulgação de dados estatísticos, além de contestar os números recentemente publicados sobre o peso do sector petrolífero no Produto Interno Bruto (PIB) de Angola.
Defesa da autonomia institucional
Carlos de Carvalho acusou o Executivo de, em 2016, ter impedido o INE de publicar estatísticas oficiais, sublinhando que um órgão estatístico não deve produzir dados e submetê-los à autorização governamental antes da sua divulgação pública.
Segundo o economista, a substituição da direção anterior do instituto terá ocorrido por alinhamento com as pretensões do governo, o que, na sua opinião, fragiliza a credibilidade e a independência técnica da instituição.
Na mesma linha, o especialista recordou que a independência do Banco Nacional de Angola continua a ser um desafio ainda não plenamente concretizado no país.
Divergências sobre o peso do petróleo
Numa outra vertente, o economista Carlos Rosário manifestou discordância em relação aos dados divulgados pelo INE sobre o sector petrolífero, que apontam para uma contribuição de cerca de 14% a 15% no PIB.
Para Carlos Rosário, os números não reflectem a realidade económica do país. O especialista argumenta que o petróleo representa mais de 90% das exportações nacionais e acima de 50% das receitas do Estado, considerando, por isso, pouco plausível que o seu peso na economia seja tão reduzido.
O economista alertou ainda para os efeitos da mudança metodológica adoptada no cálculo das contas nacionais, defendendo maior prudência na actualização dos indicadores, sob risco de distorções na leitura da estrutura económica do país.
Apesar das críticas, reconheceu o esforço do INE na divulgação de dados mais detalhados e apelou ao rigor e à actualidade dos números apresentados.
PIB avaliado em 104 mil milhões de kwanzas
Os pronunciamentos surgem na sequência da divulgação, esta semana, dos dados do PIB pelo INE, avaliados em 104 mil milhões de kwanzas para o presente ano.
De acordo com o director-geral do INE, Joel Futi, Luanda lidera a geração de receitas com um PIB estimado em 31 mil milhões de kwanzas, seguida pela província do Zaire com 17 mil milhões. Benguela contribui com 7% e o Uíge com 5%.
Segundo o responsável, estas participações dependem da realidade e do potencial económico de cada província. O Zaire destaca-se como a segunda maior economia provincial devido à intensa actividade petrolífera, concentrando cerca de 80% da produção nacional. Já Luanda mantém forte peso na indústria transformadora e no sector dos serviços.
Por outro lado, Cuando, Cubango, Namibe e Cunene apresentam participação de apenas 1% cada, figurando entre as províncias com menor contribuição para as receitas do Estado.
A directora-geral adjunta do INE, Anália da Silva, sublinhou a importância do novo produto estatístico baseado em dados provinciais e nacionais, considerando-o fundamental para uma melhor compreensão da geração de riqueza no país.
A divulgação inédita dos dados provinciais do Produto Interno Bruto marca um novo capítulo na produção estatística em Angola. No entanto, as críticas levantadas por economistas reacendem o debate sobre a independência das instituições económicas e a transparência dos números que orientam a avaliação da realidade financeira do país.
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