EM TROCA DE 50 MIL KWANZAS: CIDADÃ ACUSADA DE RAPTAR CRIANÇA NO BAIRRO 5 FIOS

O Serviço de Investigação Criminal (SIC) apresentou, esta quinta-feira, 23, a cidadã Albertina da Costa, de 22 anos, acusada de ter raptado recentemente uma menor de 4 anos, no bairro 5 Fios, no município do Kilamba, em Luanda.

Imagem: DR Ponto de Situação

A detenção da suspeita trouxe novos contornos a um caso que chocou a opinião pública, com a acusada a confessar o crime e a apontar a existência de um alegado mandante, enquanto a família denuncia momentos de desespero e sofrimento ao longo de mais de um mês.

De acordo com as autoridades, a suspeita terá agido de forma premeditada, aproveitando-se da confiança da família. Sob o pretexto de procurar uma casa para arrendar, aproximou-se dos progenitores e ganhou acesso ao interior da residência. Foi nesse contexto que, segundo o seu próprio relato, executou o plano.

“Quando a mãe foi à praça comprar o jantar, eu despistei a filha mais velha e meti-me num táxi com a criança”, confessou Albertina da Costa, que terá desencadeado acção  no dia 8 de Março.

Durante o interrogatório, Albertina revelou ainda que não se tratava de um acto isolado.

“Esta é a terceira criança que roubo. Foi o Miguel que mandou, ele prometeu dar-me 50 mil kwanzas”, afirmou, acrescentando que o alegado mandante recebia as crianças e as entregava a uma outra mulher.

“Ele depois leva para outra senhora. Queria levar para o Uíge e até já tinha dado o nome de Teresa”, disse.

A menor permaneceu desaparecida por mais de um mês, período durante o qual esteve fora do convívio familiar e em condições consideradas preocupantes. Após ser localizada, foi imediatamente encaminhada para o hospital materno-infantil, onde permanece sob cuidados médicos.

O pai da criança, Doriano Francisco Miguel, descreveu o estado da filha e o sofrimento vivido pela família.

“A bebé está internada e inspira cuidados por causa da má alimentação que teve. Nós não dormíamos, foi muito difícil”, relatou.

O progenitor destacou ainda os esforços feitos para localizar a filha. “Fui até ao Uíge à procura dela. No dia 16 de Abril, recebemos informação de que estava escondida numa casa no Bairro 5 Fios, e com ajuda dos moradores conseguimos levá-la às autoridades”, afirmou, agradecendo o trabalho da Polícia Nacional.

Por sua vez, o porta-voz do SIC em Luanda, superintendente Fernando Carvalho, confirmou que as investigações prosseguem com o objectivo de identificar todos os elementos envolvidos.

“Estamos a realizar diligências para desmantelar esta rede. Há fortes indícios de que não se trata de um caso isolado”, garantiu.

O responsável deixou ainda um alerta às famílias: “é importante redobrar a atenção. Muitas vezes, estes indivíduos aproximam-se com aparência normal, mas têm intenções criminosas. Pessoas destas não têm rosto”, advertiu.

O caso levanta sérias preocupações sobre a existência de redes de tráfico de menores e reforça a necessidade de vigilância permanente, num contexto em que a protecção da infância continua a ser um desafio urgente para as autoridades e para a sociedade.

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