ESPANCADO ATÉ À BEIRA DA MORTE: VIGILANTE LUTA PELA VIDA APÓS ASSALTO BRUTAL EM LUANDA
A madrugada de 22 de Março de 2026 ficará marcada como uma das mais violentas para dois vigilantes em Luanda. Augusto Adão Domingos foi barbaramente agredido durante um assalto a um armazém no bairro Calemba II, município da Camama, e luta agora pela recuperação, após uma cirurgia delicada ao crânio. O caso expõe não apenas a crueldade dos criminosos, mas também o silêncio e a alegada falta de assistência às vítimas.
Eram por volta das 03h00 da madrugada quando o silêncio do bairro Onjimaka foi quebrado pela acção de um grupo de assaltantes armados. Munidos de uma arma de fogo do tipo AKM e outros instrumentos contundentes, os marginais invadiram um armazém no Calemba II, e surpreenderam os vigilantes em serviço.
Sem qualquer possibilidade de defesa, Augusto Adão Domingos e o seu colega foram rendidos sob ameaças de morte, amarrados com fita-cola e, em seguida, submetidos a uma violência extrema. Os criminosos arrombaram o espaço e, antes mesmo de se dirigirem ao cofre, descarregaram uma onda de brutalidade sobre as vítimas.
Golpes com paus, ferros e até machados transformaram o local de trabalho num cenário de horror. Augusto foi atingido na cabeça de forma severa, ficando entre a vida e a morte. O seu colega também não escapou à fúria dos agressores e encontra-se internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), em estado crítico.
Após consumarem o crime, os assaltantes fugiram com cerca de 1.400.000 kwanzas e uma arma de fogo do tipo caçadeira, deixando para trás corpos feridos, sangue e um rasto de dor.
As vítimas foram socorridas e encaminhadas ao Hospital Josina Machel, onde Augusto foi submetido a uma intervenção cirúrgica de urgência devido a traumatismo craniano grave. A operação foi determinante para salvar a sua vida, mas o caminho da recuperação ainda é longo e incerto.
Do lado de fora da sala de hospital, a dor da família mistura-se com indignação. A irmã de Augusto denunciou a falta de apoio tanto da empresa de segurança quanto da entidade proprietária do armazém.
“Até agora ninguém apareceu para prestar ajuda como deve ser. O meu irmão quase morreu, foi operado na cabeça, e estamos sozinhos nesta luta”, lamentou, visivelmente abalada.
Em contraponto, o gerente do armazém, Manuel Zinga António, afirmou ter mantido contacto telefónico com a família da vítima para acompanhar o seu estado de saúde, embora reconheça não ter conseguido deslocar-se pessoalmente nem contactar a família do outro vigilante, que permanece em estado crítico.
O caso levanta questões profundas sobre a segurança dos trabalhadores nocturnos e a responsabilidade das entidades empregadoras em situações de risco extremo.
Enquanto Augusto luta para recuperar não apenas a saúde, mas também a dignidade após tamanha violência, a sociedade é confrontada com a urgência de proteger aqueles que, muitas vezes no anonimato, garantem a segurança de bens e vidas durante a noite.
Entretanto, as autoridades continuam a investigar o caso, com os autores do crime ainda em fuga. Para a família de Augusto, mais do que justiça, resta agora a esperança de que ele volte a sorrir, e que nunca lhe falte o apoio da empresa que trabalhou.





































