OBAMAXI ADMITE TER RECEBIDO DINHEIRO APÓS ASSALTO, APESAR DE CONHECER A REPUTAÇÃO DO GRUPO
Agostinho Jorge, de 27 anos de idade, conhecido pela alcunha de "Obamaxi", um dos cidadãos apresentados pelo Serviço de Investigação Criminal (SIC) por alegado envolvimento no homicídio dos seguranças António Vasco Augusto e José Gonçalves Vicente, reconheceu ter recebido 150 mil kwanzas após o assalto ao armazém no bairro Calemba II, embora continue a negar participação directa nos homicídios.
Durante a sua apresentação, o jovem afirmou que apenas foi convidado por um amigo para permanecer do lado de fora do armazém, alegando desconhecer o que se passava no interior do estabelecimento.
‘‘Eu não sei das andanças dele. Foi o Obama quem me deu os 150 mil kwanzas. Apenas fui convidado a esperar do lado de fora’’, justificou.
Em declarações adicionais, Agostinho Jorge contou que conheceu o indivíduo identificado como "Obama" há cerca de oito meses, numa fase em que enfrentava dificuldades após o término do seu contrato de trabalho no Terminal de Carga.
‘‘Eu conheço o Obama há oito meses e já tinha ouvido dizer que ele fazia coisas ruins. É a minha primeira vez a estar preso. O meu erro foi receber o dinheiro. Praticamente conheci o Obama por causa do fim do meu contrato, porque eu trabalhava no Terminal de Carga’’, disse.
‘‘Estávamos no Nandó a beber quando o senhor Obama nos chamou e pediu para ficarmos do lado de fora, enquanto eles entravam no armazém. Já eram 04h00 da manhã, e depois de duas semanas, o Obama veio entregar o dinheiro e disse que tinha sido o senhor Léo quem o enviou’’, relatou.
Morador do município do Cazenga, Agostinho Jorge explicou que se deslocou para o bairro Calemba II, onde vive a mãe e acabou por estabelecer amizades que, segundo as autoridades, o colocaram no centro das investigações dos referidos crimes.
Apesar de admitir que tinha conhecimento da reputação criminosa de "Obama", o suspeito reconheceu ter aceite os valores monetários provenientes da acção ilícita, uma decisão que considera ter sido o maior erro da sua vida.
As autoridades sustentam que os elementos recolhidos durante a investigação apontam para o envolvimento do grupo nos homicídios dos dois profissionais de segurança privada.
Os casos, que resultaram na morte de António Vasco Augusto, de 51 anos, e José Gonçalves Vicente, de 38 anos, voltam a evidenciar a violência associada aos roubos qualificados em Luanda e reforçam o apelo à responsabilização dos autores destes crimes que deixaram duas famílias mergulhadas na dor e na busca por justiça.
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