POLÍCIA APRESENTA SUSPEITOS DO HOMICÍDIO DE DOIS SEGURANÇAS E APREENDE ARMA USADA NOS CRIMES EM LUANDA

A Polícia Nacional, e o Serviço de Investigação Criminal (SIC-Luanda), apresentaram nesta segunda-feira, 15, os presumíveis autores dos homicídios dos seguranças António Vasco Augusto e José Gonçalves Vicente, crimes que chocaram a opinião pública pela violência com que foram executados.

Imagem: DR Ponto de Situação

Entre os apresentados às autoridades encontram-se João Enoque Marques, de 21 anos, conhecido por "Djeni", e Agostinho Jorge, de 27 anos, vulgo "Obamaxi". Segundo o SIC, ambos participaram em acções criminosas que culminaram na morte de profissionais de segurança privada, em diferentes pontos da capital do país.

De acordo com as investigações, João Enoque Marques terá recebido 200 mil kwanzas para participar no assalto que vitimou António Vasco Augusto, segurança de 51 anos de idade. O crime ocorreu na madrugada do dia 9 de Abril de 2026, por volta das 04h00, durante um roubo qualificado no interior de um armazém localizado no bairro Calemba II, Rua dos Armazéns.

No mesmo processo, as autoridades associam ainda os suspeitos ao roubo de 1.400.000 kwanzas ocorrido no referido estabelecimento comercial, caso que já havia sido tornado público pelos órgãos de investigação no dia 6 de Abril de 2026.

Os detidos são igualmente apontados como integrantes do grupo responsável pelo homicídio de José Gonçalves Vicente, de 38 anos, vigilante de uma empresa de segurança privada, assassinado na madrugada de 3 de Maio de 2026, no bairro Vila Kiaxe. A vítima foi brutalmente agredida durante um assalto, perdendo a vida no local de trabalho.

Durante a apresentação pública, João Enoque Marques admitiu ter recebido os 200 mil kwanzas, mas alegou desconhecer que participava numa acção criminosa.

"Ele falou que aquele cota era boss. Eu pensei que fosse apenas uma amizade, afinal não era. A minha família não sabe disto. Sou serralheiro e taxista. Naquele dia andámos porque havia muita gente e era por volta das quatro horas. Não é a minha primeira vez a circular de madrugada, por isso não achei estranho. Quero pedir desculpas e que a justiça seja feita. Estou mesmo arrependido", declarou.

Por sua vez, Agostinho Jorge, conhecido como "Obamaxi", negou envolvimento directo nos homicídios, afirmando ter sido convidado por um amigo para permanecer do lado de fora do armazém, sem conhecimento do que acontecia no interior.

"Eu não sei das andanças dele. Foi o Cota Léo quem me deu os 150 mil kwanzas. Apenas fui convidado a esperar do lado de fora", justificou.

Entretanto, o chefe do Gabinete de Comunicação Institucional e Imprensa do SIC-Luanda, superintendente-chefe Fernando Carvalho, esclareceu que as detenções são resultado de diligências investigativas desenvolvidas após os crimes.

Segundo o responsável, um dos implicados já se encontra sob custódia na Comarca de Luanda, enquanto outro suspeito já foi localizado pelas autoridades, mas encontra-se doente, devendo ser presente ao Ministério Público logo que o seu estado de saúde o permita, para o cumprimento dos trâmites legais.

Fernando Carvalho revelou ainda que, durante a operação, foi apreendida uma caçadeira alegadamente utilizada pelo grupo na execução das acções criminosas.

Os dois casos reacendem o debate sobre a crescente violência associada a assaltos em Luanda e os riscos enfrentados diariamente pelos profissionais de segurança privada, que muitas vezes perdem a vida no exercício das suas funções.

Para as famílias das vítimas, a apresentação dos suspeitos representa um importante passo para o esclarecimento dos crimes, mas a expectativa permanece centrada na responsabilização judicial dos envolvidos e na aplicação da justiça.