PADDA-AP DEFENDE ACTUALIZAÇÃO IDEOLÓGICA DOS PARTIDOS HISTÓRICOS
O Presidente do Partido de Apoio para a Democracia e Desenvolvimento de Angola – Aliança Patriótica (PADDA-AP), Alexandre Sebastião André, defende que o País já não precisa de discursos ancorados na libertação, mas sim de uma nova visão estratégica capaz de responder aos desafios do desenvolvimento económico, social e tecnológico.
Vinte e dois anos depois do silenciar das armas, o debate político em Angola volta a aquecer, não com o eco da guerra, mas com a exigência de reinvenção.
Em esclusivo ao Ponto de Situação, o Presidente do PADDA-AP, Alexandre Sebastião André, considera que, volvidos vinte e dois anos de paz efectiva, Angola já não precisa de movimentos de libertação nem de discursos de união para a independência, por entender que o país é soberano e enfrenta hoje desafios de outra natureza.
O político recorda que Angola alcançou a Independência em 1975 e sustenta que, duas décadas depois do fim do conflito armado, é imperioso que partidos como a UNITA, o MPLA e a FNLA actualizem as suas ideologias à realidade contemporânea.
Segundo Alexandre André, estas formações políticas permanecem excessivamente ligadas ao passado, mantendo discursos centrados na guerra, quando o País necessita de narrativas voltadas ao desenvolvimento económico, social e tecnológico. “Angola está em paz, mas continua em guerra no cerne do desenvolvimento”, afirmou.
O líder do PADDA-AP reconheceu o papel histórico desempenhado por estes partidos na luta pela Independência, mas defende que o ciclo dos movimentos revolucionários deve dar lugar a uma nova etapa política, mais pragmática e ajustada às exigências actuais da juventude e da economia global.
Para o responsável partidário, é fundamental que o Executivo implemente políticas públicas capazes de criar oportunidades e fixar os jovens no território nacional.
O líder, considera preocupante o aumento da emigração juvenil, sublinhando que muitos procuram em Portugal melhores perspectivas de vida. “É lamentável ver jovens a seguir o antigo colonizador décadas depois da Independência”, frisou.
Segundo ele, grande parte da juventude angolana já não se revê nos partidos tradicionais, apontando uma desconexão entre a classe política e as aspirações das novas gerações.
O número daquela agremiação política, considerou ainda que a democracia angolana é, em teoria, uma das mais avançadas do continente africano, mas que, na prática, enfrenta limitações estruturais.
Como exemplo, citou a excessiva centralização administrativa, afirmando que gestores locais, assim como os administradores municipais, terem de depender constantemente de orientações superiores para executar iniciativas, o que compromete a autonomia e a eficiência governativa.
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