ALEMANHA NÃO CONSEGUE MANTER LUGAR NO CONSELHO DE SEGURANÇA: APOIO À UCRÂNIA E A ISRAEL FOI A CAUSA

Johann Wadephul, chefe da diplomacia alemã, chamou "derrota amarga" à perda do assento rotativo no Conselho de Segurança da ONU face a Portugal e Áustria, atribuindo-a ao apoio firme a Kiev, à propaganda russa e à "responsabilidade especial" perante Israel no Médio Oriente.

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Johann Wadephul descreveu como uma "derrota amarga" o revés frente a Portugal e à Áustria na votação de quarta-feira à noite para eleger cinco novos membros do Conselho de Segurança.

"O nosso apoio inequívoco à Ucrânia e o facto de a Rússia não querer ouvir uma voz desse tipo no Conselho de Segurança não foram indiferentes". O político alemão acrescentou ainda que "não é segredo para ninguém" que a Rússia fez campanha contra a Alemanha.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas é composto por cinco membros permanentes: China, França, Rússia, Reino Unido, Estados Unidos e 10 membros não permanentes.

Wadephul salientou que "sempre tivemos uma posição clara em relação a determinadas questões e nem todos os Estados-membros partilham essas posições. Além disso, o facto de a Alemanha ter de assumir uma responsabilidade especial perante Israel no conflito no Médio Oriente pode ter custado alguns votos".

Rússia ainda não responde a acusações de pressão contra lugar da Alemanha

Acrescentou ainda que o facto de o país ter entrado tarde nesta corrida de dois anos foi outro dos factores deste insucesso. A Rússia continua sem responder às acusações de ter feito pressão contra a candidatura da Alemanha.

Nesta votação, para ocupar um dos dois lugares do grupo "Europa Ocidental e Outros Estados", a Alemanha obteve 104 votos, enquanto Portugal reuniu 134 votos e a Áustria 131.

Nas mesmas eleições, o Zimbabué, único candidato ao lugar reservado a África, obteve 182 votos e Trinidad e Tobago garantiu, sem oposição e com 181 votos, o assento do grupo da América Latina e Caraíbas.

Prosseguia ainda na quarta‑feira uma segunda volta de votação entre as Filipinas e o Quirguistão para preencher o lugar atribuído à Ásia. Os cinco países agora eleitos substituirão, a partir de 1 de Janeiro de 2027, o Paquistão, a Somália, a Grécia, a Dinamarca e o Panamá, juntando‑se aos outros cinco membros do Conselho a República Democrática do Congo, Libéria, Letónia, Colômbia e Bahrein, cujo mandato de dois anos cobre 2026‑2027.